Alguém Sonhando Longe Daqui

Nova individual de Fernando Lemos traz sua série experimental mais recente, as "fotografias desenhadas"

Ana Abril

Publicado em: 13/05/2016

Categoria: Da Hora, Notícias Quentes

Obra, considerada uma 'pintura digital', da série Sonos, Dormires e Despertares, de Fernando Lemos (Fotos: Divulgação)

“Algumas pessoas, quando veem minhas obras, falam ‘eu acho que isso é um cachorro’, e eu repondo ‘então esse é o seu cachorro’. O contemporâneo não é mais do que isso: é o que é e também o que não é”. Essa definição de contemporaneidade não pode ser desmerecida, pois vem da boca de Fernando Lemos, um artista que começou como modernista e sempre se manteve ligado à experimentação.

Aos 90 anos, o artista português naturalizado brasileiro apresenta a exposição Alguém Sonhando Longe Daqui, composta por três conjuntos de obras que abrangem um longo período de tempo. A mostra nasce de uma parceria entre a Galeria FASS e a Galeria Millan e inclui o lançamento do livro O Real Como Enigma, com uma seleção de obras do artista.

Em primeiro lugar, destacam-se fotografias realizadas entre 1949 e 1952, quando Lemos fez parte do surrealismo português. “Desde o anos 1940, estou ligado a esse movimento. Eu trabalho com o automatismo, ou seja, começo uma obra sem saber o que vou fazer, deixando o meu inconsciente falar por mim”, explica o artista. As imagens revelam o espírito inovador do artista, que trabalhou as diferentes possibilidades da fotografia, entre elas, a múltipla exposição do filme fotográfico.

Trabalho de Fernando Lemos

Fotografia de Fernando Lemos

Além dessas obras, a exposição apresenta mais de 30 desenhos feitos ao longo dos 65 anos de carreira de Lemos. Apesar da diferença temporal, os traços dialogam com as fotos: ver as imagens da obra de Lemos é como ver uma sequência de auras agitadas.

Desenhos realizados pelo Fernando Lemos

Desenhos realizados pelo Fernando Lemos

“Meu último trabalho consiste em desenhos em preto e branco ampliados fotograficamente em telas. Ou seja, os desenhos começam no analógico, passam para o digital e tornam-se pinturas. É o que eu chamo de ‘pintura digital'”.  É assim que Lemos define a série Sonos, Dormires, Despertares, grupo de trabalhos mais recente.

Apesar de não ser filho da era digital, Lemos não tem medo da tecnologia. “Eu considero todos os componentes do procedimento digital como se fossem pincéis, para mim não é nada mágico”, desvela o artista.

Alguém Sonhando Longe Daqui surpreende pela harmonia. Isso porque Lemos nunca deixou de trabalhar sobre o conceito de ocultação. Esse pensamento vem do léxico surrealista, cuja ênfase está na proporção entre o que pode ser visto e o que pode ser velado. Ele explica o termo realizando uma comparação: “Durante toda minha vida me interessou o sonho, porque é o único território onde nada está oculto, é o único que revela a verdade”.

Dessa forma, Lemos volta a evidenciar a relevância do inconsciente em sua faceta artística. Mas faz uma ressalva: “O artista hoje em dia tem que ter um conceito para justificar o que está fazendo. Não precisa ser nada bonito, mas sim justificado. Arte é arte”.

Serviço
Anexo Millan
Rua Fradique Coutinho, 1416 – Vila Madalena
Abertura e lançamento do livro: 14 de maio, das 12h às 16h
Exposição: De 17 de maio a 11 de junho
De terça-feira a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 18h

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