Ambivalência animal

Na Fondation Cartier, arte e ciência se misturam em exposição que mostra a presença dos animais em nossa civilização e imaginação

Márion Strecker
Passarinhos (2016), muro de azulejos com pássaros pintados a mão por Beatriz Sauer, de autoria de Adriana Varejão (Foto: Márion Strecker)

Artistas que trabalham na fronteira da ciência e a colaboração entre cientistas e artistas dão a tônica da mostra, com curadoria de Hervé Candès.

A obra inspiradora do projeto é a de Bernie Krause, músico e bio-acústico norte-americano que se dedica a gravar a natureza selvagem há 40 anos, além de colaborar com músicos e cineastas. Ele ajudou a formar as bases de uma nova disciplina científica: a ecologia das paisagens sonoras. Gravou paisagens sonoras em locais diversos do planeta, entre elas a Amazônia, e sete delas podem ser ouvidas no subsolo do edifício da fundação, desenhado por Jean Nouvel. Bernie Krause é autor do conceito de biofonia, o conjunto de todos os sons produzi- dos por todos os seres vivos que formam um determinado ecosistema. Na organização dos sons do espaço selvagem, quase que orquestral, cada espécie encontraria seu “nicho acústico”, de modo a se mostrar ou se esconder, a depender da situação. É isso o que ouvimos na instalação, feita em parceria com o coletivo multimídia United Visual Artists, de Londres. Projetado entre as paisagens sonoras, um filme de Raymond Depardon e Claudine Nougaret traz depoimentos de Bernie e clipes de habitats naturais que se deterioraram dramaticamente nas últimas décadas.

Também no sub-solo da fundação, há outra ambientação sonora que impressiona, com música original do compositor japonês Ryuichi Sakamoto e imagens de plânctons do cientista francês Christian Sardet, reunidas em instalação do artista visual japonês Shiro Takatani.

Adriana Varejão levantou um muro de azulejos com pássaros pintados por Beatriz Sauer. Da biblioteca Macaulay, do Laboratório de Ornitologia de Cornell, vieram documentários de curta metragem com performances incríveis de aves, algumas muito engraçadas. Agnès Vardas montou no jardim um poético túmulo multimídia para homenagear seu gato morto. Hiroshi Sugimoto, Cai Guo-Qiang, Manabu Miyazaki, Pierro Bodo, JP Mika, Moke, Cyprien Tokoudagba também integram a exposição.

Serviço
A Grande Orquestra dos Animais
Curadoria de Hervé Chandès
Fondation Carter pour l’art Contemporain
Até 8/1/2017
www.fondation.cartier.com

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