ARCOLisboa joga luz sobre os conflitos do Leste ao premiar galeria georgiana

Vera Chaves Barcellos, artistas da Georgia, e programa dedicado a galerias do continente africano são os destaques da feira

Monica Tinoco em Lisboa

Publicado em: 20/05/2022

Categoria: Da Hora, Destaque, Mercado de Arte, Notícias Quentes

Obras de Nato Sirbiladze, artista autodidata que recebe com muito atraso o devido reconhecimento em seu país natal, a Georgia, mas, junto do conterrâneo mais jovem Nika Kutateladze, ambos apresentados pela galeria Artbeat na feira, ganha o Premio Opening 2022 da ARCOLisboa [Foto: Beto Sanovicz/seLecT]

Situada no charmoso galpão da antiga fábrica de cordas, a Cordoaria Nacional, às margens do rio Tejo, abre hoje ao público a 5ª edição da ARCOLisboa, feira internacional de arte contemporânea realizada pelo grupo espanhol Ifema/Madrid, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa.

  • Vista da entrada [Foto: Beto Sanovicz/seLecT]
  • Vista do setor Opening [Foto: Beto Sanovicz/seLecT]
  • Vista do setor Programa Geral e Africa em foco [Foto: Beto Sanovicz/seLecT]

A feira está organizada em três núcleos – Programa Geral, Opening e África em Foco, além do setor Arts Libris, dedicado a editoras, revistas especializadas e livros de artistas – e conta com a participação de 65 galerias de 14 países. Nesta edição da ARCOLisboa também acontecem palestras e debates, com destaque para as conversas entre o curador alemão Tobi Maier e o artista português Diogo Evangelista, e entre a curadora angolana Paula Nascimento e o artista angolano Thó Simões.

BAIXA ADESÃO DO SUL GLOBAL
O Programa Geral, eixo principal do evento, reúne 42 galerias, a maior parte delas sediadas em Portugal e na Espanha, que apresentam majoritariamente obras de artistas atuantes na Península Ibérica. Participam outras galerias europeias, porém é notável que apenas três galerias da América do Sul integrem o programa, nomeadamente a uruguaia Galeria de Las Missiones, a brasileira Zielinsky (de Porto Alegre, com sede em Barcelona) e a luso-brasileira Kubikgallery (sediada na cidade do Porto e em São Paulo). 

Nesta edição, o Comitê Organizador solicitou aos galeristas que reduzissem o número de artistas apresentados no estande, trazendo mais obras de cada um deles, para que os colecionadores pudessem conhecer melhor pesquisas artísticas individuais, o que torna a feira muito agradável de visitar.

Os destaques das obras mostradas no Programa Geral são os trabalhos do artista português Carlos Bunga (Porto, 1976), representado pela galeria lisboeta Vera Cortez; a série de imagens trazidas pela galeria Zielinsky que registram a icônica performance On Ice (1978) de Vera Chaves Barcellos (Porto Alegre, 1938), realizada em Amsterdã no auge da arte conceitual e recentemente adquirida pelo Museu de Arte Contemporânea de Barcelona – MACBA, e os trabalhos têxteis que incorporam elementos em cerâmica da portuguesa Flávia Vieira (Braga, 1983), apresentados pela Kubikgallery.

Natureza #3 (2021), de Carlos Bunga [Foto: Beto Sanovicz/seLecT]

CURADORIA SEM FRONTEIRAS
A seção Opening tem curadoria da espanhola Chus Martínez e da luso-brasileira Luiza Teixeira de Freitas. Situado num espaço anexo ao setor principal, o núcleo apresenta uma seleção de 13 galerias, de diversos países, cujos projetos inovadores atraíram a atenção das curadoras. Cada galeria mostra obras de dois de seus artistas representados, estabelecendo um diálogo entre eles e também entre os outros trabalhos dos artistas das demais galerias, já que o projeto expositivo das curadoras procura eliminar as tradicionais paredes que separam um estande de uma galeria do outro. 

A galeria Verve, única galeria brasileira neste núcleo, optou por trazer obras dos artistas Dudu Garcia (Rio de Janeiro, 1966) e Luisa Malzoni (São Paulo, 1980), que levantam questões sobre a memória individual e coletiva, e a dicotomia ausência/presença, representativa do momento global atual. 

A proposta da galeria Artbeat, da Georgia, foi trazer dois artistas de gerações diferentes, que representam momentos distintos na história artística do país. De um lado, a artista Nato Sirbiladze (Tbilisi, 1955), autodidata que seguiu produzindo suas pinturas apesar da falta de reconhecimento do valor de seu trabalho artístico, mesmo depois da independência da Georgia da União Soviética, em 1991. Do outro, o artista Nika Kutateladze (Tbilisi, 1989), parte de uma geração que recebeu educação artística e formação acadêmica. Com a apresentação dos dois artistas, a Artbeat recebeu o prêmio de melhor projeto do setor Opening.

  • Pintura de Nika Kutateladze [Foto: Beto Sanovicz/seLecT]
  • Pintura de Nika Kutateladze [Foto: Beto Sanovicz/seLecT]

O espaço foi o mais concorrido pelos visitantes na abertura para convidados, ontem, 19/5, e os galeristas deste núcleo mostravam satisfação com a efetivação de negócios.

VERDE DE ÁFRICAS
O programa África em Foco, em sua segunda edição na ARCOLisboa, concentra as atenções na produção artística contemporânea de artistas do continente africano e apresenta oito galerias europeias e africanas selecionadas pela curadora angolana Paula Nascimento. 

Há uma preocupação da organização da feira em criar uma fluidez entre os estandes do Programa Geral e do África em Foco, no sentido de proporcionar integração e igualdade, já que as galerias dos dois programas ocupam o mesmo espaço e estão intercaladas, de modo a não configurar núcleos distintos. A identificação dos setores se dá pelo uso de cores diferentes para cada um na sinalização das galerias: a placa com o nome e a cidade da galeria é branca para os integrantes do Programa Geral e verde para os do África em Foco.

Acompanhe, nos próximos dias, a cobertura completa da ARCOLisboa, e eventos colaterais na cidade e redondezas, pela seLecT.

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