Arcos emergentes

A feira de arte ARCOMadrid 2017 abre suas portas em 22/2 com forte presença latino-americana. Confira a entrevista com Carlos Urroz, diretor da ARCO

Paula Alzugaray
Carlos Urroz, diretor da ARCO: o sucesso de Lisboa define ponto de partida para expansão (Foto: Divulgação)

A sexta edição da Frieze New York, que acontece em maio, quase chegou lá. Mas, mesmo com uma presença recorde de galerias brasileiras participantes (11), não bateu a ARCOMadrid, que há três edições seguidas conta com 13 galerias nacionais, entre as 200 expositoras. Com a recuperação da economia espanhola, este ano a tradicional feira resgatou o interesse de nossos marchands e dos vizinhos latino-americanos. Os números não mentem. Dos 67% de participantes internacionais, 32% vêm do continente americano. Em entrevista à seLecT, o diretor Carlos Urroz explica por que Madri segue sendo a principal plataforma comercial para a arte latino-americana no mercado europeu.

A ARCOMadrid promoveu um programa dedicado à Argentina em fevereiro. Como medir a longevidade das relações internacionais geradas pela feira? 

A presença da América Latina tem sido destaque na ARCOMadrid por bastante tempo, já que a capital espanhola representa a ponte mais importante para um diálogo de práticas artísticas entre a Ibero-América e a Europa. Em 1997, a ARCOMadrid já era considerada a principal plataforma comercial para a projeção da arte latino-americana no mercado europeu, com seu programa dedicado à América Latina e a participação sem precedentes de 14 países ibero-americanos. Em 2005, o México foi o país convidado da 24a edição; em 2008, a ARCOMadrid apresentou o Brasil como convidado e, em 2015, a Colômbia foi destaque durante a 34a edição da feira.

De que regiões são os colecionadores que compram na ARCO?

Temos um Programa de Colecionadores com mais de 250 participantes de 44 países, com um terço dos nossos colecionadores vindo da América Latina.

Que ações são feitas para atrair novos colecionadores?

Somos considerados o lugar na Europa onde é encontrada a melhor arte emergente da América Latina. Com a incerteza política e financeira em alguns países da América Latina, o interesse geral na Espanha tem aumentado ao longo dos anos. Este ano, com a Argentina como país convidado, o programa ofereceu vários eventos de prestígio. Colecionadores latino-americanos também estiveram presentes em Madri, já que três coleções latino-americanas foram exibidas na cidade durante a ARCO: Isabel e Augustín Coppel, na Fundação Banco Santander, a Coleção Rothschild na Sala Acalá 31 e a Coleção Costantini, na Real Academia de Belas Artes de San Fernando.

A ARCO vai expandir para outros países, além de Lisboa? 

No ano passado, lançamos o ARCOLisboa, que foi um tremendo sucesso. Consideramos Lisboa a nossa melhor opção como cidade para se expandir, pois é um lugar onde as pessoas querem estar, e Portugal tem um mercado cada vez mais dinâmico e internacional. No momento, não temos planos concretos para expandir em determinados países, mas o sucesso em Lisboa certamente definiu um grande ponto de partida.

Como o senhor analisa a recuperação da economia espanhola e do mercado de arte?

A crise econômica na Espanha teve um sério impacto no colecionismo e no mercado local, mas, à medida que o país se recupera, inevitavelmente, cresce também o interesse pelo mercado da arte.

A que o senhor atribui o crescimento da participação das galerias brasileiras?

Temos 13 galerias brasileiras participando neste ano, todas elas já tendo participado, o que reforça como o Brasil continua a ter uma sólida presença na feira. Este é um reflexo da rica produção artística e do calibre do trabalho que sai do País, apesar das incertezas econômicas e políticas. A cena de arte e o mercado no Brasil são muito atraentes.

*Paula Alzugaray viajou a Madri a convite da ARCOMadrid

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