Arquivo Bijari: da exposição à publicação

Coletivo de arte comemora 20 anos de atividade com exposição

Luana Fortes
Praças (Im)Possíveis, bicicletas adaptadas que se transformam em praças articuláveis (Foto: Divulgação)

O coletivo de arte Bijari, que desde os anos 1990 atua nas intersecções entre arte, design e tecnologia, inaugura exposição que celebra seus 20 anos de atividades. Seu primeiro espaço de trabalho foi na rua Bijari, no bairro paulistano Butantã, de onde emprestou o nome. Se o foco no início era o design gráfico, com o tempo o coletivo passou a explorar diferentes linguagens das artes visuais. Os membros do grupo ainda trabalham ao lado de outros profissionais em um (quase) tradicional estúdio de design, mas desenvolvem simultaneamente projetos diversos, trabalhos de arte e intervenções urbanas. A produção é vasta. A exposição Arquivo Bijari 1997-2017 reúne mais de 40 trabalhos e dá o primeiro passo em direção a uma publicação que compile sua história.

Estão expostos registros de suas principais intervenções nos mais diversos suportes, como vídeos, projetos, maquetes, objetos, fotografias, além de trabalhos em lambe-lambe, projeções, entre outros formatos. “Eu acho que cada trabalho merecia uma sala do tamanho dessa exposição inteira, porém aqui o esforço do arquivo é fazer uma síntese precisa de cada um e colocá-los em perspectiva”, conta à seLecT Rodrigo Araújo, membro do grupo.

Still do vídeo Galinha (2002), que registra os momentos em que uma galinha é solta em lugares com distintos perfis socioculturais (Foto: Divulgação)

 

O grupo pretende lançar a publicação em 2018. O projeto do livro já foi aprovado pela Lei Rouanet duas vezes, mas por enquanto não arrecadou fundos suficientes. Como o coletivo apresenta singular autonomia financeira, graças à sua atuação como estúdio de design, se o dinheiro não vier de fora, poderá vir de dentro.

A autonomia do coletivo pode ser notada também no fato de o Bijari realizar a exposição no próprio espaço de trabalho. O grupo decidiu transformar o lugar na mais nova galeria paulistana, a Anti-Pop. Em seu percurso já tiveram que lidar com muitos obstáculos institucionais, então nada pareceu mais adequado do que oferecer o espaço para outros artistas experimentarem, sem amarras e censuras. “Se é pra trabalhar com todos os limites possíveis e a expressão não for aquela que você mais quer, não tem porquê”, pensa Geandre Tomazoni. “A ideia da galeria é também conseguir dar vazão e receber projetos de outros grupos que não tenham estrutura, tempo ou convite de uma instituição”, completa Gustavo Godoy, também membro do Bijari.

A Anti-Pop será palco não só de exposições, como também de pesquisa, oficinas e diálogo. Durante a Arquivo Bijari 1997-2017, serão realizadas conversas sobre a mostra que também serão material para a publicação. Agora, resta aguardar o lançamento do livro e aproveitar a prévia que a exposição oferece.

Serviço
Arquivo Bijari 1997- 2017
Galeria Anti-Pop
Rua Padre João Gonçalves, 81 – São Paulo
até 3/02
bijari.com.br

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