Arquivo de incertezas

Programa Convida do IMS fomenta experimentação de liguagens e constitui memória do isolamento

Paula Alzugaray

Publicado em: 18/06/2020

Categoria: A Revista, Crítica, Destaque, Review

Grupo EmpreZa (GO/DF/SP/RJ) , entre os convidados do projeto IMS Convida (Foto: Cortesia dos artistas)

O Instituto Moreira Salles foi rápido em dar uma resposta à crise institucional e sistêmica das artes e frente o fechamento de seus três centros culturais em São Paulo, Rio de Janeiro e Poços de Caldas. Criou a hashtag #IMSquarentena, onde acervo da instituição e ensaios de suas revistas ZUM e Serrote são recontextualizados e onde hospedou o Programa Convida, um espaço até que bastante inclusivo, em que incentiva cerca de 50 criadores das áreas de atuação do instituto a publicar trabalhos realizados durante a quarentena.

Chama a atenção não só a diversidade de identidades (de raça, gênero, regionalidade, contexto social e cultural) envolvidas no projeto, mas a variação de soluções de linguagem propostas por cada um aos desafios do momento, a saber: criar sem sair de casa, com as ferramentas que se tem à mão; estar só; pensar sobre as novas maneiras de estar no mundo; pensar no futuro.

Os trabalhos produzidos em lives, performance, contação de histórias, textos, vídeos, áudios e fotos tem resultado irregular. Há aqueles que dificilmente atravessam a qualidade de notas e divagações de um diário pessoal. Mas, nesse projeto, resultados não importam tanto. Que uma instituição se abra a abarcar os pensamentos desconexos desse momento de incertezas, e a compartilhar o estado coletivo de busca e investigação, é o que realmente faz diferença.

Do vídeo-diário melancólico da artista e ativista trans Rosa Luz à “eco-live” do artista indígena Jaider Esbell, passando pelo Fastasma de Guayaquil, texto mítico de Cidinha da Silva, sobre a perda do direito de chorarmos nossos mortos, o que se forma aqui é um arquivo de incertezas. Espera-se, no entanto, que o calor e o caos experimental desse mo- mento não sejam cooptados pela avidez de um mercado de arte à deriva.

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