Arte e Política: Manifesto 2

Está no ar a edição #54 da seLecT, segunda dedicada ao tema arte e política

Da Redação

N° Edição: 54

Publicado em: 21/06/2022

Categoria: A Revista, Destaque, Editorial

Capa edição 54; Cartaz da campanha FTP (Fuck The Police), Decolonize This Place

Um arquivo do mundo para apresentar a Deus no Dia do Juízo. Essa foi a tarefa que Arthur Bispo do Rosario deu a si. Sua obra – criada dentro de uma cela de manicômio – abrange objetos ressignificados, bordados,vestimentas e esculturas, perturba conceitos de loucura e amplia os sentidos da arte.

Informar é o oposto de viralizar;

Informar é checar, confrontar dados e versões, processo que demanda tempo e responsabilidade;

Informar é narrar as histórias do cotidiano, com suas muitas camadas de complexidade, suas capacidades inventivas em cada mínima nuance;

Informar é atentar ao detalhe sem perder a noção do todo, do contexto que esclarece as particularidades;

Colocar sobre os fatos observados uma lente hiper- reflexiva;

Jogar luz sobre problemas e tensões negligenciados pelo sistema;

Transmitir ideias culturais e políticas de forma não descartável;

Informar é se comunicar por meio de uma linguagem não codificada;

Informar é amplificar as lutas sociais que se opõem ao projeto obscurantista em curso no país;

É testemunhar as lutas de proteção à terra indígena, noticiar e amplificar essa luta;

Desinfectar códigos de programação racistas e intolerantes;

Produzir conteúdo a partir de múltiplas camadas de dados e avaliando criticamente as diferentes interpretações;

Articular mecanismos de difusão de ideias que não necessariamente levam à viralização da mensagem; Estudar, pesquisar, apurar e divulgar o que não é visível e central;

Vigiar e difundir as condições que asseguram os direitos humanos;

Ater-se aos fatos;

Valorizar as histórias, as ideias e os tempos em seu potencial compartilhável; Amplificar vozes silenciadas e sistemas de pensamento diversos; Reivindicar existência e permanência;
Desimpregnar de imediatismo, virtualidades e desinformação;

Contribuir para o crescimento social;
Produzir (outras) frentes de comunicação e cultura;

Amplificar lutas combatendo os argumentos mentirosos da “guerra de narrativas”;

Denunciar estruturas patriarcais, coloniais e todas as formas de violência; Denunciar a degradação da linguagem;

Acolher identidades que não são fixas, abraçar todo tipo de diversidade, “desoutrificar”, dialogando em igualdade;

Informar é começar uma conversa; É um exercício de escuta.

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