Dois grandes acervos de arte popular

Exposição no Centro Cultural Correios RJ apresenta 150 peças representativas da arte popular

Ana Abril

Publicado em: 25/05/2016

Categoria: Da Hora, Destaque, Notícias Quentes

Obra de Bajado (Foto: Reprodução)

A arte popular, comumente desvalorizada no Brasil, começou a ganhar reconhecido destaque no universo artístico. Em exposição no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro a mostra Viva o Povo Brasileiro! traz mais de 150 peças representativas da arte não acadêmica. O projeto tem curadoria da Denise Mattar e consultoria de Roberto Rugiero.

As obras têm autoria de artistas de diversas regiões do Brasil, como Mestre Vitalino, Jadir João Egídio, Nhô Caboclo, Zezinha, Isabel, Galdino, Ranchinho, Miranda, Bajado, Mirian, Paul Pedro Leal, Chico Tabibuia, Antonio Julião, Ana das Carrancas, Noemisa, Heitor dos Prazeres e J. Borges, entre muitos outros.

Com temas relacionados principalmente ao cotidiano, a exposição se divide em cinco temáticas: homem, animais, lúdico, fé e fantástico. As peças compartilham o espírito alegre e rítmico, a explosão de cor e uma mistura de lirismo, poesia e melancolia.

O prestígio da arte popular brasileira está vivendo seu auge. Consciente disso, a revista seLecT dedicará sua edição 30 à temática do Popular. A curadora de Viva o Povo Brasileiro!, Denise Mattar aponta a importância das coleções particulares na conservação da arte popular. No caso da exposição do Centro Cultural Correios, as obras selecionadas fazem parte dos acervos de João Maurício de Araújo Pinho e Irapoan Cavalcanti, dois dos mais importantes e completos do Brasil.

Pintura de Mirian (Foto: Reprodução)

Pintura de Mirian (Foto: Reprodução)

Desde a colonização, a arte popular brasileira, segundo Mattar, sempre foi mais valorizada pelos estrangeiros. “Nomes como o francês Jean de Léry (1536 – 1613), que escreveu sobre a arte plumária indígena, o suíço Blaise Cendrars (1887 – 1961), que se encantou com a arte do povo mineiro, a italiana Lina Bo Bardi (1914 – 1992), que criou na Bahia um Museu de Arte Popular e realizou a antológica exposição A Mão do Povo Brasileiro, são apenas alguns exemplos.”, cita Mattar.

Várias técnicas artísticas estão representadas na mostra: pintura, escultura, cerâmica, relevos e objetos. É inédita a relevância adquirida pela pintura popular, sempre relegada a segundo plano em comparação à escultura. Segundo Roberto Rugiero, as pinturas desse gênero estão se valorizando pela escassez de artistas e pela compreensão de que tem a mesma importância que a acadêmica. “Nos últimos 20 anos, o número de pintores de qualidade passou de 30 para uns quatro ou cinco. A pintura sempre foi considerada uma forma secundária, ainda que seja muito mais difícil de fazer”, explica Rugiero.

Essa é a segunda edição de Viva o Povo Brasileiro!. A primeira foi em 1992, no Museu de Arte Moderna do Rio, e também teve participação de Denise Mattar. A mostra pode ser visitada até 12 de junho.

Serviço
Centro Cultural Correios Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro – Rio de Janeiro
De 13 de abril a 12 de junho
De terça-feira a domingo, das 12 às 19h

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