Arte, tecnologia e cidades

Guilherme Kujawski, de Recife

Publicado em: 27/02/2014

Categoria: Da Hora, tecnologias

Seminário no Porto Digital, em Recife, aborda tecnologia de ponta e design no contexto da economia criativa

Portomidia

Legenda: Detalhe da sala de correção de cor do Portomídia (Foto: Edgar Melo/JC Imagem) 

A quarta edição do Seminário de Economia Criativa, conhecido como Recife Summer School, termina hoje em Recife. Em termos gerais, o evento traz uma série de debates sobre temáticas que abordam a relação entre arte e tecnologia, gestão e inovação orientada pelo design. O evento acontece no Portomídia, plataforma recém inaugurada do Porto Digital, pólo tecnológico localizado no Recife Antigo, que tem a função de ser um observatório de novas tecnologias e conta com uma infra-estrutura de pós-produção audiovisual de tirar o chapéu de qualquer produtor do sul “maravilha”. O aporte inicial do projeto foi de R$15 milhões, grande parte oriundos de PPP (parceria público-privada). Os articuladores e gestores já preparam um evento de Playable City para o mês de abril, em Recife – e isso foi um dos temas principais da último debate de ontem, dia 26. Com o fatal risco da brevidade, o próximo parágrafo procura realizar uma sinopse da mesa Interatividade e Multimídia: Diálogos entre Arte, Tecnologia e Cidades. 

O hacker Eduardo Oliveira começou explicando o conceito de Playable City, que se contrapõe ao de Smart City (não adianta ter uma cidade “esperta” sem o empoderamento de seus cidadãos). Nesse modelo não são as empresas que dão as cartas; são as pessoas. Ao invés de sensores de controle total, a relação “brincante” com a cidade (faixas de pedestres tornando-se teclados de piano, por exemplo). Mediado pelo “death metal” e escritor de ficção científica Jacques Barcia, foi a vez do segundo hacker, Felipe Calegário, contar os detalhes da parceria entre Portomídia e British Council. Em seguida, o multimidiático H.D. Mabuse falou sobre os pioneiros Paulo Bruscky e Daniel Santiago (o rio Capibaribe foi “pintado” por eles na década de 1960), o movimento Direitos Urbanos (que acabou com os nefastos camarotes no carnaval de Recife), o projeto Som na Rural, hackeamento do código das cidades (as leis) e como a experiência do PEbodycount forçou a criação de políticas públicas na área de segurança. Por fim, eu defendi a tese de que arte urbana é a soma de tática urbana e arte política. Arte política, diga-se, na acepção de Jacques Rancière, para quem os artistas críticos de hoje precisam se desvincular do clássico paradigma mimético-ético, de conteúdo pedagógico (forçar o espectador a se identificar com o “mocinho” e não com o “bandido”) e partir para projetos desvinculantes, que possam corromper um senso estético comum.

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