Artista americana comenta participação na feira MADE

Roan Florez elogia público brasileiro e acredita que MADE é mais diversa do que feiras de design dos Estados Unidos

Luana Fortes
Da esquerda para a direita, as peças Yaz, Perfluoroalkyl, Teflon e Dieldrin, de Roan Florez (Fotos: Tim Hans)

“Eu admiro muito a feira por aceitar diferentes tipos de trabalho” diz à seLecT a artista americana Roan Florez sobre a MADE (Mercado.Arte.Design). “É muito diferente do que tem sido mostrado nos Estados Unidos”, continua. Florez acompanhava a feira de design pelas redes sociais. Certo dia, Waldick Jatobá, diretor da MADE, viu seu trabalho pelo Instagram e entrou em contato. A artista a priori achou que era uma conta falsa, mas depois percebeu que o interesse era real. O diretor convidou Florez a participar da 6ª edição da feira. Seu estande é um dos 5 internacionais lá presentes.

Detalhe de Novolog, de Roan Florez

As peças que Florez trouxe ao Brasil são da série Autolysis. “A série é sobre como permitimos que elementos químicos destruam o meio ambiente e nosso próprio corpo”, conta. Cada objeto é nomeado a partir de um composto químico ou droga que já causou a morte. Sua origem foi um caso pessoal. O pai da artista foi fuzileiro naval dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã, que ocorreu de 1955 a 1975. Enquanto ele estava em uma floresta do país, o governo americano decidiu despejar 20 milhões de galões de um herbicida tóxico sobre o território. Os efeitos do composto atingiram a população vietnamita e também os soldados dos Estados Unidos. No pai de Florez, a consequência foi câncer de cérebro e estômago. A indignação da artista tomou forma nas peças escultóricas de Autolysis, que se assemelham indiretamente a esses órgãos.

Caminhando entre o design e a arte – Florez trabalha como ceramista da dupla de designers The Haas Brothers – a artista faz peças metade escultura, metade vasos de flores. Não são, no entanto, objetos convencionais. “Eles são o oposto de vasos comuns em que você coloca água e tenta preservar uma planta”, afirma a artista. Feitas em cerâmica com um orifício estreito que comporta apenas uma flor, as esculturas tem como objetivo ser suporte para a observação da degradação da planta. A artista busca uma reflexão sobre a impermanência das coisas e da vida.

Glyphosate e Roundup, de Roan Florez

 

Ao exibir as peças ao público brasileiro, teve uma surpresa gratificante. “Normalmente eu recebo críticas sobre o uso de cores em minhas peças. Dizem que elas deveriam ser mais suaves. Mas aqui foi o exato oposto. Aqui comentam positivamente sobre a paleta e vibração das cores”, conta à seLecT. “Não é a resposta que eu estava esperando. É muito incrível poder dialogar com uma comunidade que entende que existe lugar para cores no design e em nossos lares”.

Serviço
MADE (Mercado.Arte.Design), Machine Art after Philip Johnson
De 27/6 a 1/7
Pavilhão da Bienal
Av. Pedro Álvares Cabral, s/n – São Paulo
mercadoartedesign.com

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