As mãos negativas

Guilherme Kujawski

Publicado em: 13/03/2015

Categoria: Cursos, Da Hora

Escola de Artes Visuais do Parque Lage oferece curso gratuito sobre as relações entre artes visuais e ficção científica

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Legenda: (imagem: Divulgação)

O monstruoso dos filmes de terror, a tradução perfeita do que os psicólogos chamam de o Outro obsceno, desempenha um papel análogo, na ficção científica, ao do novum, as inovações que aparecem nas narrativas futuristas, de acordo com o termo criado pelo pesquisador Darko Suvin. Ou seja, a novidade pura, ao invés de trazer o conforto, poderia aguçar um sentimento de medo na sociedade contemporânea.

Isso é uma hipótese. Mas é possível reparar um padrão atual nas artes visuais: o interesse por temas futuristas e apocalípticos. Sem querer gerar outra hipótese, a tendência talvez indique que, em tempos de catástrofe, a produção artística (visuais, cinema, literatura, etc.) se concentra em temas extraídos da FC como uma forma de “escapismo”, ou uma maneira de aceitar a realidade catastrófica através de uma mediação.

Por isso é mais que pertinente a iniciativa da Escola de Artes Visuais do Parque Lage de oferecer o curso Passado, presente e futuro – A ficção científica como estratégia política na arte contemporânea, que tem início no próximo dia 17 de março. O curso, ministrado por Bernardo José de Souza, busca estimular reflexões políticas, sociológicas e filosóficas sobre a maneira como a arte se relaciona com o tempo futuro. O evento vai se desdobrar em uma exposição que a EAV prepara para o primeiro semestre desse ano, e que leva o título A mão negativa, inspirado em trabalho de Marguerite Duras sobre as pinturas de mãos encontradas nas grutas da Europa Sul-Atlântica.

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