As urgências da atualidade

II Valongo Festival Internacional da Imagem tem como lema Aberto Para Obras e levanta diferentes possibilidades para a fotografia

Luana Fortes
Imagem da série Excessocenus de Cristina de Middel e Bruno Morais (Fotos: Divulgação)

Em meio a uma série de crises – econômicas, políticas e sociais – o Valongo Festival Internacional da Imagem, projeto do Estúdio Madalena, chega à sua segunda edição pronto para bater de frente com a realidade brasileira e propor novas narrativas. Se o Brasil está fechado para reformas, o Valongo está aberto para obras, frase que serve de lema para a nova edição. 

O festival continua buscando a expansão da imagem contemporânea e aproveita esse objetivo para ser palco do lançamento do RGB (Registro Geral Brasileiro), novo projeto do Estúdio Madalena que busca registrar o presente e reinventar o amanhã do Brasil. Fotógrafos como Miguel Rio Branco e Bob Wolfenson empreenderão projetos que promovam o resgate e documentação do contexto nacional, diante de suas próprias pesquisas. “Acreditamos que a prática documental e artística na construção da imagem de um país seja a ferramenta ideal para preparar o diálogo, a criatividade e o planejamento de novos rumos. São nos momentos de grande crise que surgem possibilidades de novas reflexões, novos pensamentos e, sem pestanejar, de colocar em prática ideias ousadas”, escrevem os diretores do Valongo, Thamyres Matarozzi e Iatã Cannabrava.

Três exposições individuais compõem a programação do festival, apresentadas sobre o olhar de Horácio Fernandez, outra vez curador do projeto. “Igual a todas as fotografias, as apresentadas no Valongo mostram o mundo, mas não param aí”, aponta. A proposta é exibir imagens que contam mais do que mostram.

The Candidate, de António Julio Duarte

A espanhola Cristina de Middel e seu marido carioca Bruno Morais apresentam o projeto Excessocenus, em que registram os efeitos de modelos econômicos baseados em excessos na África. O português António Júlio Duarte exibe imagens capturadas em palácios do sexo, dos jogos, do dinheiro, entre outros lugares, na região de Macau, China. E Patricia Almeida completa o trio com um retrato de sua frustração perante a atualidade.

Fora as exposições individuais, a programação é extensa. Estão previstos 20 workshops com profissionais da fotografia e do vídeo, divididos de acordo com o tempo de duração – há opções de um dia (imersivos), de dois a três dias (workshops) e de quatro dias (laboratórios). Tratam-se de grandes chances de reflexão e contato. “O único jeito de aprender é a frequentação”, disse Cannabrava durante coletiva de imprensa. Acontecem também instigantes mesas de debates e entrevistas. Lilia Swarcz entrevistará o artista Jonathas de Andrade, por exemplo. E, para completar, também marcam presença projetos como o Cidade Invertida, dedicado à elaboração de ações culturais relacionadas à imagem, e a Feira Plana, que mobiliza a profissionalização da produção independente de livros.

A relação com a região que abriga o festival também não podia ficar de fora. Afinal, ter um porto como casa não é pouca coisa. Como acredita Cannabrava: “Turismo cultural tem mais chance de acontecer no porto do que na praia”. É com isso em mente, aliado a uma comunidade local ávida por participar, que o Valongo aposta em discussões direcionadas a políticas públicas da cidade. Dessa maneira, o festival movimenta a região portuária de Santos e convida moradores de outras cidades para participar e conhecer o projeto.

Trabalho de Patricia Almeida

 

Serviço
II Valongo Festival Internacional da Imagem
Santos – São Paulo
4 a 8/10
valongo.com

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