Ascensão e queda de um gigante

HQ alternativa norte-americana conta a vida de lenda da luta-livre nos EUA

Ramon Vitral

Publicado em: 11/12/2014

Categoria: A Revista, Review

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Capa de André The Giant: Life and Legend, HQ de Box Brown

O lutador profissional francês André René Roussimoff tinha todas as características de um personagem de histórias em quadrinhos. Morto em 1993, aos 46 anos, ele chegou a medir 2,23 metros e a pesar 240 quilos. Sua altura fora do comum e suas feições caricatas eram consequência de um tumor na hipófise, glândula responsável pela produção de hormônio do crescimento. Algumas vezes vilão e outras herói, ele foi durante anos um dos protagonistas da indústria do wrestling profissional – um espetáculo de luta-livre no qual técnicas teatrais são aplicadas em combates corpo a corpo, com lucros anuais de mais de 40 milhões de dólares nos Estados Unidos. Quase duas décadas após sua morte, sua vida finalmente ganhou uma versão em quadrinhos.

André The Giant: Life and Legend (André O Gigante: A Vida e a Lenda, em tradução livre) foi lançado nos Estados Unidos no início de junho, pela editora First Second. Escrita e ilustrada pelo quadrinista norte americano Box Brown, a biografia conta as origens de seu protagonista, sua ascensão no wrestling e as várias polêmicas que ele vivenciou. Celebridade na América do Norte nos anos 1970, ele foi ator coadjuvante no clássico cult A Princesa Prometida (1987), juntamente com Billy Cristal. Seu alcoolismo levou à deterioração de sua saúde, a brigas com familiares e ao declínio de sua carreira no fim dos anos 1980.

“No wrestling, as pessoas estão constantemente mentindo umas para as outras e engrandecendo suas histórias. Precisei fazer uso do meu melhor julgamento para saber o que era real e o que era falso”, explica Box Brown em entrevista à seLecT sobre a produção da biografia.

As 240 páginas em preto e branco da graphic novel compõem uma narrativa quase jornalística da vida de Roussimoff. A obra contém sete páginas de referências bibliográficas, exposição de fontes e glossário. A precisão factual do enredo é contraposta pelo traço caricatural de Brown. “Eu gosto de pensar o livro como jornalístico e acadêmico, mas também estava moldando uma história. Além disso, o conceito de verdade no mundo do wrestling é algo incompreensível. Sou bastante influenciado por documentários. Os melhores documentários são imparciais, expõem a verdade e deixam a audiência chegar às suas próprias conclusões, e foi isso que tentei fazer com o livro”, conta o autor da obra.

Candidato potencial a alguns dos principais prêmios da indústria norte-americana de quadrinhos em 2015, André The Giant ganhou edições em espanhol, francês e italiano. Brown aguarda o interesse de editoras brasileiras.

*Review publicado originalmente na #select21

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