Bernardo Oyarzún

Juliana Monachesi

Publicado em: 30/11/2011

Categoria: exposições on-line, Portfólio

Artista chileno de origem indígena reúne sua cultura mapuche à reflexão sobre o processo civilizatório do continente latino-americano

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Bajo Sospecha (1998), instalação do artista chileno (foto: cortesia do artista)

Uma coleção tipográfica de grandes dimensões, feita de terra batida no chão de um armazém no Cais do Porto. Letras de 1 metro de altura, cons- truídas com terra vermelha guarani, formando um texto que ganha sentido conforme se caminha pelas suas entrelinhas. O trabalho de Bernardo Oyarzún na 8a Bienal do Mercosul se completa com três vídeos que mostram falantes de língua guarani de comunidades distintas, contando um mito ou uma história do lugar.

“Os guaranis dizem que o homem branco é de papel, porque a palavra não vale nada para ele”, relata o artista chileno de origem mapuche, que realizou uma residência na aldeia guarani de Koenjú, a 30 quilômetros de São Miguel das Missões, no interior do Rio Grande do Sul, como parte do projeto Cadernos de Viagem da Bienal. “Aqui a fé foi insuficiente ante as palavras poéticas e as mitologias dos guaranis”, afirma sobre as igrejas hoje em ruínas e onde os jesuítas fundaram, com o povo guarani, no século 15, uma civilização – destruída no século 18, na disputa de territórios entre Espanha e Portugal.

A palavra é uma constante na obra de Oyarzún. Em um trabalho intitulado Território Mapuche, por exemplo, ele enfileira em um quadro-negro os nomes de lugares no Chile que têm denominações mapuches, como uma aula de geografia que chamasse atenção para a presença indígena na cultura do país. Lengua Izquierda é a articulação de línguas nativas americanas versus línguas europeias vinculadas com a colonização da Amé- rica: “É uma forma de contar a história da América por meio do choque de línguas, cujo resultado conhecido para as línguas nativas é a atrofia de seu pensamento e fala”, explica.

O foco da obra de Oyarzún está na discussão do choque cultural sofrido pelos indígenas e por outras comunidades marginalizadas

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Morador de bairro popular de Santiago do Chile que protagoniza telenovela Mal de Ojo (foto: cortesia do artista)

Outra constante é a criação de obras em parceria. Teleserie – Mal de Ojo (2007) foi um trabalho feito com a comunidade de Pedro Aguirre Cerda, bairro popular de Santiago do Chile. Inspirada no formato das telenovelas latino-americanas, é uma produção audiovisual construída com histórias de bairro, roteiro de ficção com pitadas de realidade, que conta com a participação de parte dos moradores na produção e no elenco. 

A filmagem realiza-se em exteriores e sets de gravação improvisados em casas do bairro, abrangendo ruas, praças, a música, a fala, compondo um espelho do lugar. “O set cumpre a função de encenar uma história e mostrar aspectos estéticos que refletem a criatividade e o repertório particular de imagens desse lar, um ambiente que chega ao local da exposição como maquete real, que revela seu contexto e onde se vê uma história verossímil, como documento histórico e inventário cultural.” 

Este ano, Oyarzún apresentará o projeto Teleserie em um bairro popular de Medellín, na Colômbia, novamente com produção in situ. A telenovela terá o título de Fronteras Invisibles. “O projeto é uma espécie de matriz que pode ser aplicada a qualquer lugar.”

Em breve, aqui, link para a galeria com obras de Bernardo Oyarzún no nosso Flickr.

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