Bibliotecas para plantar

Em Nova York, orelhões esquecidos ganham vida nova por meio de boas ideias

Mariel Zasso

Se há um objeto urbano que clama por reapropriação, esse objeto é o orelhão: quantas vezes você precisou de um telefone público no último ano? Com a popularização massiva dos celulares, essas figuras outrora símbolo de progresso caíram em desuso. Nova York tem mais de 13 mil telefones públicos – contra mais de 17 milhões de celulares. Não é de se espantar que o futuro dos precursores seja incerto. Mas boas ideias podem transformar o destino do mobiliário urbano antes fadado à ruína.

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Biblioteca de encaixar, estrutura criada por John H. Locke (Foto: Cortesia do artista/ Gracefulspoon)

“A melhor hora para transformar um orelhão em uma biblioteca pública é no domingo cedinho”, diz John H. Locke. O arquiteto americano projetou prateleiras de madeira leve que se encaixam facilmente nas cabines telefônicas. Ele mesmo pintou e montou, na sua própria casa, as pequenas estantes, com madeiras cortadas por um marceneiro do bairro.

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Do it Yourself! O diagrama está no site

A preferência pelas desertas manhãs de domingo dá ares de magia à sua intervenção. Basta encontrar uma boa cabine, pendurar a prateleira e recheá-la. Num piscar de olhos, ele as instala, para a surpresa de transeuntes desavisados. Nas pequenas estantes coloridas, acopladas com ganchos a orelhões que se tornaram invisíveis, romances e livros infantis ganham as ruas, à disposição de quem quiser levá-los, devolvendo ou não, não importa.

Ele também não liga quando a prateleira, após algumas semanas, também some. Para Locke, elas são estruturas vivas, que assim como aparecem, “espontaneamente” também podem desaparecer. Se não são perenes, duram o suficiente para conquistar seus fãs. Editoras, livrarias e vizinhos ficaram à espreita do sorrateiro plantador de bibliotecas para oferecer suas doações para futuras instalações.

Das ruas para as galerias, o projeto está sendo apresentado na mostra Intervenções Espontâneas, na Bienal de Arquitetura de Veneza. Mas Locke faz questão de compartilhar a “receita” do projeto em seu site, incentivando as pessoas a replicarem a ideia em seus bairros, semeando mundo afora bibliotecas sobre orelhões.

Saiba mais:

gracefulspoon.com/blog

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No meio do caminho tinha um livro

*Publicado originalmente na #selec8.

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