Bienal de São Paulo designa sete artistas como curadores

Além de sete exposições coletivas simultâneas, exposição intitulada Afinidades Afetivas terá também projetos individuais

Márion Strecker

Em entrevista coletiva concedida nesta terça (31/10), o presidente da Fundação Bienal, empresário e colecionador João Carlos de Figueiredo Ferraz, disse que a Bienal apresentaria “um projeto que foge completamente dos modelos anteriores” e que “fala da arte com uma visão mais aberta e não tão dirigida”. Ele também afirmou que a instituição se encontra fortalecida tanto financeiramente quanto administrativamente e, ante perguntas, admitiu que só definirá se a próxima Bienal terá ou não classificação etária quando a exposição estiver definida.

O curador-geral da 33a. Bienal de São Paulo, Gabriel Pérez-Barreiro

O curador-geral da 33a. Bienal de São Paulo, Gabriel Pérez-Barreiro, abriu sua apresentação com uma crítica a um “modelo único de Bienal” que estaria em vigor no mundo nos últimos 20 anos. O modelo consistiria em se nomear um curador-geral, o curador escolher um tema e então contratar uma equipe de curadoria, que escolheria os artistas e as obras.

Pérez-Barreiro inventou um nome para a próxima Bienal: Afinidades Afetivas, um mash-up dos títulos de um romance de Goethe (Afinidades Eletivas, de 1809) e de uma tese de Mário Pedrosa (Da Natureza Afetiva da Forma na Obra de Arte, de 1949). Mas ele recusa entender esse nome como um tema, ainda que ache o nome inspirador para a forma de conceber a exposição e as relações que se estabelecerão entre artistas, obras de arte e o público. Em outras palavras, que ele usou em entrevista anterior à seLecT, ele admite organizar uma experiência, mas não gostaria de organizar um tipo de arte.

Para sua equipe, Pérez-Barreiro chamou sete artistas como curadores. Cada um deve conceber uma exposição coletiva diferente, da qual participe, a acontecer durante o evento previsto para começar em setembro de 2018. Simultaneamente às sete coletivas, a Bienal terá também exposições individuais, a cargo do curador-geral. A lista final dos artistas participantes será divulgada no primeiro semestre de 2018.

Os artistas chamados são Waltercio Caldas (Rio de Janeiro, 1946), Claudia Fontes (Argentina, 1964, residente na Inglaterra), Mamma Andersson (Suécia, 1964), Wura-Natasha Ogunji (EUA, 1970, vive na Nigéria), Alejandro Cesarco (Uruguai, 1975, vive em Nova York), Antonio Ballester Moreno (Espanha, 1977) e Sofia Borges (Ribeirão Preto, 1984, vive em São Paulo). Os nomes dos artistas-curadores foram escolhidos para representar diferentes práticas. “Foram escolhidos mais pelas diferenças do que pelas semelhantes”, disse o curador-geral.

A ideia é que Waltercio faça uma reflexão histórica sobre a forma e a abstração; Fontes pesquisa relações entre arte e narrativa; Andersson elabora temas de figuração na tradição da pintura, da arte popular até a arte contemporânea; Ogunji reúne um grupo de artistas que compartilham questões sobre a identidade e a diáspora africana; Cesarco pesquisa artistas que trabalham sobre tradução e imagem; Moreno propõe diálogo de sua obra com referenciais que tratam da história da abstração e a relação com a natureza, a pedagogia e a espiritualidade; e Borges pesquisa a tragédia e a forma ambígua.

Os artistas-curadores estão livre para reunir artistas vivos ou mortos, conhecidos ou desconhecidos, e não apenas artistas visuais, mas também músicos ou literatos, por exemplo.

Outros nomes da equipe da Bienal anunciados nesta terça são de Alvaro Razuk (arquitetura), Raul Loureiro (identidade visual), Lilian L’Abbate Kelian e Helena Freire Weffort (educativo) e Fabiana Werneck (editorial). Na área editorial, um objetivo será fazer com que o material produzido possa servir ao público posteriormente, de forma independente da existência da exposição no Parque Ibirapuera.

Pérez-Barreiro é espanhol e atua como diretor e curador-chefe da Coleção Patricia Phelps de Cisneros, com sedes em Nova York e Caracas. Ao ser designado para o posto, no começo do ano, criticou o gigantismo da exposição, que conspiraria contra a qualidade e levaria o visitante à exaustão.

Umas pista do que Pérez-Barreiro faria já estava dada quando ele foi curador da Bienal do Mercosul e fez a exposição Conversas, em que artistas convidaram outros artistas. Outra pista estava na citação recorrente ao termo “afeto” e a Mário Pedrosa (1900-1981), o crítico de arte sobre quem, em parceria com Michelle Sommer, curou este ano uma exposição no Museu Reina Sofía, em Madrid.

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