Bienal dos vínculos afetivos

Artistas históricos como Aníbal Lopes e curadores-artistas como Waltercio Caldas e Claudia Fontes estão na exposição de SP

Márion Strecker

Publicado em: 21/09/2018

Categoria: A Revista, Destaque, Reportagem

Testemunho, trabalho de Aníbal Lopez em que o artista levou um matador de aluguel para ser entrevistado pelo público da Documenta

O título da 33ª Bienal de São Paulo, Afinidades Afetivas, refere-se à forma de organizar a exposição a partir de vínculos entre os artistas envolvidos. Sete artistas foram convidados a fazer a curadoria de exposições coletivas. Os artistas curadores são: Alejandro Cesarco, Antonio Ballester Moreno, Claudia Fontes, Mamma Andersson, Sofia Borges, Waltercio Caldas e Wura-Natasha Ogunji. Outros 12 artistas foram escolhidos para apresentar projetos individuais, entre eles três já falecidos e pouco conhecidos no Brasil: o guatemalteco Aníbal López (1964-2014), o paraguaio Feliciano Centurión (1962-1996) e a brasileira Lucia Nogueira (1950-1998), que se radicou em Londres. O objetivo é resgatá-los do desaparecimento da história da arte, segundo o curador-geral Gabriel Pérez-Barreiro (leia entrevista à pág. 94).

Os demais convidados para mostrar projetos individuais são o argentino Alejandro Corujeira e os brasileiros Denise Milan, Maria Laet, Vânia Mignone, Nelson Felix, Bruno Moreschi, Luiz Crosman e Tamar Guimarães. O uruguaio Alejandro Cesarco (1975), interessado em questões como repetição, narrativa e tradução, mostrará obras de Sturtevant (1924-2014), Louise Lawler (1947) e Cameron Rowland (1988) na exposição Aos Nossos Pais. O plano do espanhol Antonio Ballester Moreno (1977) foi salientar “o estudo de nossas origens, sejam elas relacionadas a aspectos naturais, sociais ou subjetivos – os três eixos que organizam a exposição”, intitulada sentido/comum. Entre seus convidados estão Andrea Büttner (1972), Mark Dion (1961) e Rafael Sánchez-Mateos Paniagua (1979).

A argentina Claudia Fontes (1964), curadora da mostra O Pássaro Lento, convidou vários artistas para desenvolver obras comissionadas, entre eles Ben Rivers (1972), Daniel Bozhkov (1959), Elba Bairon (1947) e Pablo Martín Ruiz (1964). Para a exposição Stargazer II (Mira-estrela II), a sueca Mamma Andersson (1962) traz artistas que têm nutrido sua produção como pintura, interessada em “artistas que trabalham com a melancolia e a introspecção como um modo de vida e uma forma de sobrevivência”. Entre eles estão Henry Darger (1892-1973), Dick Bengtsson (1936-1989), Gunvor Nelson (1931) e Ake Hodell (1919-2000).

A brasileira Sofia Borges organizou a mostra A Infinita História das Coisas ou o Fim da Tragédia do Um, que inclui obras de Jenniger Tee (1973), Leda Catunda (1961), Sarah Lucas (1962) e Tal Isaac Hadad (1976). Waltercio Caldas fez a curadoria Os Aparecimentos, confrontando obras de Victor Hugo (1802-1885), Jorge Oteiza (1908-2003) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970) com trabalhos de sua autoria. Por fim, a norte-americana Wura-Natasha Ogunji convidou outras artistas para desenvolver novos trabalhos num processo curatorial colaborativo. “Suas obras quebram as narrativas hegemônicas”, diz ela sobre Lhola Amira (1984), Mame-Diarra Niang (1982), Youmna Chlala (1974), Nicole Vlado (1980) e ruby onyinyechi amanze (1982). 

SÃO PAULO
33a Bienal de São Paulo
De 7/9 a 9/12/2018
Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera – São Paulo
Das 9 às 19h (entrada até as 18h), exceto quintas e sábados (entrada até as 21h) e segundas (fechado).
Entrada gratuita
bienal.org.br

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