Brasil profundo

Obras de alta relevância da Coleção Airton Queiroz percorrem cinco séculos de história da arte

Ana Abril
Adriana Varejão, Sereias Bêbadas (Foto: Divulgação)

Fortaleza reivindica seu espaço no polo cultural brasileiro – historicamente centralizado no Rio de Janeiro e São Paulo. Com mais de 250 obras de alta qualidade, valor e relevância, a mostra Coleção Airton Queiroz faz dessa importante capital nordestina local de visita obrigatória para especialistas e amantes das artes visuais.

A exposição é uma seleção das 700 obras abrigadas na casa em estilo colonial do empresário Airton Queiroz, chanceler da Universidade de Fortaleza, que começou a adquirir arte há mais de 50 anos. Unindo sua coleção pessoal à de seu pai, de quem herdou o gosto pelo colecionismo, somam-se 1,6 mil peças de arte brasileira e europeia, cuja autoria vai de Albert Eckhout a Beatriz Milhazes, passando por Alfredo Volpi, Lygia Clark, Claude Monet, Max Ernst, Salvador Dalí e Joan Miró.

Anita Malfatti, Mulher de Cabelos Berdes (Foto: Divulgação)

Anita Malfatti, Mulher de Cabelos Verdes (Foto: Divulgação)

Com curadoria de Max Perlingeiro, José Roberto Teixeira e Fábio Magalhães, ex-diretor do Masp, a exposição está dividida em cinco seções organizadas por períodos históricos e movimentos artísticos. Mas todos afirmam que “o verdadeiro curador é o próprio Airton Queiroz”, já que ele sempre adquiriu as obras com base em seu olhar estético, sem orientações de terceiros.

O passeio começa no Brasil Holandês com a discreta, mas poderosa Paisagem de Várzea, de Frans Post. A discrição deve-se à tênue luz incidente, a fim de não danificar a aquarela; enquanto o poder é proveniente da importância histórica da tela, datada de 1657 e realizada por um dos pintores a serviço do conde Maurício de Nassau, então governador do Brasil Holandês.

O ponto forte dessa seção, contudo, é Gabrielle et Jean Renoir, de Pierre-Auguste Renoir, a pintura mais valorizada da coleção que, segundo Max Perlingeiro, “está estimada em R$ 4 milhões”. A concorrência fica com a tela Vaso de Flores, de Guignard, que é o trabalho mais caro de um brasileiro já leiloado, por R$ 5,7 milhões, e também parte da mostra.

O percurso pelo modernismo inclui peças de Tarsila de Amaral, Anita Malfatti, Lasar Segall, Antônio Gomide, Cícero Dias e Vicente do Rego Monteiro, enquanto a seção de arte contemporânea dedica-se a nomes proeminentes como Tunga, Adriana Varejão e Vik Muniz.

Durante a visitação também pode ser apreciada A Catedral, de Antonio Bandeira, primeira aquisição do mecenas, quando tinha apenas 16 anos. Mas, apesar da significância do Bandeira, ao ser perguntado pela seLecT sobre sua peça preferida, Airton Queiroz, com a mão no coração, responde: “Adquiri cada uma dessas obras e cada uma teve um significado tremendo na minha vida. Todas são as minhas prediletas”.

Serviço
Coleção Airton Queiroz
Espaço Cultural Unifor
Avenida Washington Soares, 1321, Edson Queiroz, Fortaleza
Até 18/12
Tel.: (85) 3477 3400

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