Brechas urbanas, projetos e coletividades

A arte não apenas tematiza, mas também atua, transforma e é transformada pela cidade

Da redação

N° Edição: 47

Publicado em: ANO 09, Nº 47, Jun/Jul/Ago 2020

Categoria: A Revista, Acervos Itaú Cultural, Destaque

Fortaleza Cansada (2018), de Mag Magrela (Foto: Festival Concreto / Itaú Cultural)

VERBETES
Intervenção

Na área de urbanismo e arquitetura, as intervenções urbanas designam programas e projetos que visam a reestruturação, a requalificação ou a reabilitação funcional e simbólica de regiões ou edificações de uma cidade. […] Como prática artística no espaço urbano, a intervenção pode ser considerada uma vertente da arte urbana, ambiental ou pública, direcionada a interferir sobre uma dada situação para promover alguma transformação ou reação […] Como práticas artísticas, as intervenções consolidam-se no Brasil nos anos 1970, com propostas de grupos de artistas como o 3nós3, Viajou sem Passaporte e Manga Rosa, que tomaram a cidade como campo de investigação e procuraram expandir o circuito de arte e a noção de obra de arte.

Grafitti
As inscrições em muros, paredes e metrôs – palavras e/ou desenhos –, sem autoria definida, tomam Nova York no início da década de 1970. Em 1975, a exposição Artist’s Space, nessa cidade, confere caráter artístico a parte dessa produção, classificada como graffiti. A palavra, do italiano graffito ou sgraffito, que significa arranhado, rabiscado, é incorporada ao inglês no plural graffiti, para designar uma arte urbana com forte sentido de intervenção na cena pública. […] Apesar de partilhar um mesmo espírito transgressor, a pichação aparece nos discursos críticos associada a uma produção essencialmente anônima, sem elaboração formal e realizada, em geral, sem projeto definido. No graffiti, os artistas explicitam estilos próprios e diferenciados, mesclando referências às vanguardas e outras relacionadas ao universo dos mass midia.

PROJETOS

Brechas Urbanas 
De 2015 a 2019, um ciclo de debates no Itaú Cultural discutiu experiências, perspectivas de vida e questões políticas envolvendo a cidade. Entre os assuntos abordados estavam saberes ancestrais, jornalismo, utopias, economia criativa e tecnologia. Os 57 vídeos produzidos buscam pensar alternativas para os modelos de funcionamento das cidades, a partir de conversas com artistas, arquitetos, psicanalistas e empreendedores de diferentes áreas de atuação. Um dos desdobramentos do projeto é a coluna Brechas Urbanas, no site do Instituto, atualmente editada pela jornalista e escritora Vanessa Barbara. No atual contexto de pandemia, foi organizada uma seleção de vídeos sobre desenvolvimento e construções coletivas, propondo uma reflexão sobre as brechas que a realidade da Covid-19 evidencia.

Territórios Coletivos
Entre 2016 e 2017, o Itaú Cultural produziu um documentário que aborda os coletivos de teatro Estopô Balaio, As Capulanas e Pombas Urbanas, que atuam no Jardim Romano, Jardim São João e Cidade Tiradentes respectivamente. Localizados nas periferias de São Paulo, os coletivos têm uma função cultural, social e econômica junto às suas comunidades, na medida em que geram atividades, entretenimento e formação, além de capacitar seus participantes para a atuação profissional. Dirigido por Andréia Briene, Karina Fogaça e Rafael Figueiredo, o documentário é o segundo de uma série que analisa diferentes nichos da cultura, como a música ou as relações entre a arte e a rua.

Ocupação Rino Levi 
Em fevereiro de 2020, foi inaugurada a 49a Ocupação do Itaú Cultural, em homenagem ao arquiteto e urbanista Rino Levi (1901- 1965), um dos responsáveis pelos processos de metropolização e urbanização da cidade de São Paulo. O projeto reúne tanto uma apresentação online, publicação impressa e virtual quanto uma exposição, fechada em abril, devido às medidas de isolamento social pelo combate à Covid-19. O projeto é parte de uma série de retrospectivas dedicadas a grandes nomes da história da arquitetura brasileira, como Gregori Warchavchik, Paulo Mendes da Rocha, Vilanova Artigas, Flávio Império, Oscar Niemeyer e Sergio Rodrigues. Levi foi importante pela militância na regularização da profissão de arquiteto no Brasil e na construção de cinemas e vias. A Ocupação também aborda seus projetos para casas, faceta menos conhecida de sua produção, mas que replica a ênfase nos fluxos entre interior e exterior presentes em seus projetos públicos.

 

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