Bruscky pergunta

Produção do artista pernambucano no primeiro ano da pandemia da Covid-19 argumenta pela “virulência da arte” em contextos de adversidade extrema

Paula Alzugaray

Publicado em: 23/04/2021

Categoria: A Revista, Crítica, Destaque

Arte Classificada (A Poesia Sonora e o Corona Vírus) (2020), de Paulo Bruscky (Foto: Galeria Amparo 60)

Em 1963, o artista pernambucano Paulo Bruscky caminhou pelo Centro do Recife vestindo uma placa que indagava aos passeantes: “O que é arte? Pra que serve?”. A performance não se encerrou ali: ficaram as fotografias e a pergunta permaneceu no ar, percorrendo décadas e provocando todo tipo de discussão e interpretação, em salas de aula e debates acadêmicos, sem nunca chegar a um veredicto. “Serve para tudo e para nada”, afirma o artista. Mas neste ano em que o Coronavírus e a má gestão da crise sanitária no Brasil dizimaram todas as certezas sobre o dia de amanhã, a arte manteve-se como uma das únicas respostas possíveis. Este é o argumento de A Virulência da Arte, individual de Paulo Bruscky na Galeria Amparo 60, no Recife, que se bate pela resiliência da vida inteligente em contextos de adversidade extrema.

A mostra, em cartaz até o fim de fevereiro e já encerrada, reuniu um ano de produção do artista sob o confinamento da pandemia. Os trabalhos foram produzidos entre março e dezembro de 2020, em formas diversas: colagens, gravuras, performances e “artes classificadas” – nomenclatura que o artista dá a intervenções feitas em páginas de anúncios de jornais, dentro de um amplo corpo de trabalhos que investiga outras formas de circulação da arte.

Na arte classificada Poesia Sonora e o Coronavírus, publicada no Jornal do Commercio, em 24/5/20, Bruscky propôs uma variação poética para os panelaços, orquestrando um concerto em homenagem aos profissionais de Saúde. Ele convocou todas as igrejas católicas do Recife e de Olinda a tocarem seus sinos ao mesmo tempo, e todos os habitantes dessas cidades a programar seus relógios despertadores para as mesmas 10 horas da manhã de domingo 31/5.

O conjunto de ações culmina em outra pergunta crucial – O que nos espera? – colada sobre uma bandeira do Brasil rasgada. Mas, na obra de Bruscky, respostas são sempre possíveis. “A virulência da arte é maior que a solidão do Coronavirus”, diz o texto sobre a página de classificados do jornal.

A Virulência da Arte – Paulo Bruscky
Encerrada
Galeria Amparo 60
Rua Artur Muniz, 82, salas 13 e 14, Boa Viagem, Recife
https://www.spotart.com.br/galerias/amparo60

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