Caderno de notas: Arthur Chaves

Artista carioca fala sobre acúmulo e serialidade em seu trabalho no Arte Atual Festival, no Instituto Tomie Ohtake

Priscyla Gomes

Publicado em: 31/05/2018

Categoria: Caderno de Notas Instituto, Entrevista, Projetos especiais

S/título (2017/2018), de Arthur Chaves

Por intermédio de materiais das mais diferentes naturezas, Arthur Chaves amplia o sentido estrito do desenho incorporando a fluidez e assimetria dos tecidos em suas composições. Em um primeiro contato, não se sabe ao certo se os fragmentos de matéria que articula parecem resistir à fixação que paulatinamente dá corpo ao trabalho, ou se a leveza e certa instabilidade são partidos prévios do artista.

É a observação atenta da natureza desses corpos que perpassa já a coleta e o acúmulo dos materiais mais diversos no cotidiano de seu ateliê. Arthur Chaves incorpora do mercado popular carioca itens das mais diferentes especificidades que jazem, uns sobre os outros, à espera de uma associação acidental. São fragmentos de resíduo plástico, resquícios de anúncios, estampas das mais diversas, tecidos com comportamento e cores que lhe saltam aos olhos. Essa mescla entre a potência de um achado e um material praticamente descartado e sem uso conferem certa ambiguidade à articulação desses itens deixando pouco evidente o cuidadoso arranjo que o artista realiza ao transpô-los ao espaço expositivo.

Inclinado horas sobre essas peças e, muitas vezes amparado pela máquina de costura, Arthur Chaves debruça-se atenta e exaustivamente sobre esses fragmentos, a costurá-los, fixá-los e mesclá-los fazendo de pequenos corpos amorfos, unidades prévias de uma composição ainda indefinida. Uma composição que adquire corporalidade de maneira ora precária, mas que ganha suntuosidade na tessitura das partes no plano da parede. Tal qual as alegorias carnavalescas que tanto permeiam o imaginário do artista, é da profusão de seus elementos que se articulam o mais prodigiosos estandartes.

Qual a sua formação, e por onde o seu trabalho tem se direcionado?

Sou graduado em design de moda pela Universidade Veiga de Almeida. Acredito que meu interesse parte da lógica do desenho como princípio, direcionando-se em múltiplas acepções. Meus últimos trabalhos conciliam pintura, desenho e costura em peças que envolvem tecidos e outros materiais, sem forma definida.

Como se deu a proposta para o Festival Arte Atual? Conte um pouco do processo de elaboração e montagem.

A proposta partiu do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake  através de um convite realizado pela curadora Priscyla Gomes, que já vinha acompanhando meu trabalho e acreditou fortemente na pertinência dele em relação ao tema da exposição. O trabalho como está exposto, aconteceu mesmo, durante a montagem, já que não existe um guia fixo que pré-determina a maneira como esses aglomerados de matéria irão se comportar. No início do processo, tenho em mente apenas formas muito simplificadas que funcionam como um tipo de eixo estrutural para a sobreposição das inúmeras peças que formarão o desenho, como uma espécie de costura expandida.

Pensando no tema da exposição, nas noções de absurdo, acúmulo e serialidade, como você vê essa discussão refletida no seu trabalho?

Visualizo minha produção completamente imersa nesses territórios, cada fragmento que executo está muito impregnado por todas essas características, são relações materiais e simbólicas que a princípio parecem pouco conectadas, mas que conforme vão se amontoando, ganham personalidade e significado. Desta maneira, faço também, uma conexão direta com a rotina de trabalho no ateliê, insistente e cega, mas que se afirma com decorrer do tempo.

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