Caderno de notas: Pedro Hórak

Artista paulistano, em cartaz até 1º/7/2018 no Arte Atual Festival, investiga a imagem na cultura contemporânea

Carolina de Angelis

Publicado em: 31/05/2018

Categoria: Caderno de Notas Instituto, Da Hora, Projetos especiais

Instalação de Pedro Hórak no Instituto Tomie Ohtake

Felix culpa é uma expressão em latim utilizada por algumas vertentes da religião católica para designar desdobramentos e consequências positivas do Pecado Original, que teria levado a humanidade a herdar o pecado e, assim, sua convivência com o mal. Contudo, seria após essa tragédia e por causa dela que Jesus Cristo teria vindo como redentor e teria sacrificado a si mesmo em prol da salvação e redenção dos homens. Ou seja, felix culpa é essencialmente paradoxal: um infeliz acontecimento pode trazer em si um final promissor.

É pautado pela dualidade dos sentidos e significados dessa frase que o artista constrói Ornamento e castigo. Uma série dos mais diversos slogans ou motes é organizada como um grande papel de parede: poderiam ser nomenclaturas da filosofia, da psicanálise, bem como nomes de bandas punk ou até títulos de fóruns on-line. Sob tais expressões encontram-se pinturas feitas de tecidos, tinta e uma variedade de materiais. Todas trazem imagens ambíguas, que apontam para uma falibilidade do entendimento, uma vez que toda linguagem está sujeita a múltiplas interpretações.

Qual a sua formação, e por onde tem se direcionado o seu trabalho?

Formado em Artes Plásticas, minha pesquisa vem se relacionando ao longo dos anos com as ideias de apropriação e manipulação de imagens. É a partir destes materiais que pretendo investigar mensagens ideológicas codificadas, assim como estratégias e táticas, as quais as imagens procuram assegurar seu status em nossa cultura.

Fotografias, pinturas, desenhos e publicações são meios onde questões relativas às ideias de inventário, montagem e história se materializam visualmente.

Como se deu a proposta para o Festival Arte Atual? Conte um pouco do processo de elaboração e montagem.

A proposta se deu através de um texto que explicava o conceito de acúmulo e suas múltiplas abordagens. A partir daí, o projeto foi elaborado ao longo de 3 semanas em parceria com a curadoria da exposição. Foram apresentados e discutidos possíveis ângulos com os quais o assunto poderia ser abordado, cabendo à curadoria o papel de me ajudar a editar o material e instigar, oferecendo plena liberdade para experimentar.

Pensando no tema da exposição, nas noções de absurdo, acúmulo e serialidade, como você vê essa discussão refletida no seu trabalho?

Acho que grande parte dessa questão se encontra anteriormente. As ideias de edição, acúmulo e serialização se encontram no cerne da minha pesquisa. Quanto a noção de absurdo, gosto de pensar que ela se dá pela tentativa de aproximação de universos distantes.

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