Campeonatos Assombrados

Torneios regionais só servem, hoje, para atrapalhar o cada vez mais apertado calendário do futebol brasileiro

João Paulo Quintella

Publicado em: 22/04/2013

Categoria: A Revista, Reportagem

Poucos torcedores e muitos lugares vazios: cena recorrente nos estaduais pelo Brasil

Foi-se o tempo dos estádios lotados, dos personagens irreverentes, da ansiedade pelo domingo de verão com futebol, dos grandes times pequenos em campo. Foi-se o tempo dos Estaduais. O calendário já não comporta, a torcida não se importa. Os clubes tratam os Campeonatos Estaduais como colônias de férias e ambos são um conceito ultra-passado e sem sentido, hoje.

No passado, 100 mil pessoas formavam um clássico no Maracanã. Hoje, o mesmo clássico tem um zero a menos no público, ingressos sempre caros demais e um interesse decrescente a cada ano. Poderíamos sentir falta das rivalidades épicas que se fortalecem na proximidade regional, na coexistência de torcedores rivais em um bairro, em um bar, em uma escola.

Mas que rivalidade é essa que é sempre invalidada e desmerecida pela falta de credibilidade e de apego por esses campeonatos? As respostas às provocações são sempre “o que importa é a Libertadores”, ou “quero mesmo é a Copa do Brasil”, anulando a felicidade cruel de quem venceu e o amargor de quem perdeu.

No passado, Túlio Maravilha, Renato Gaúcho, Edmundo e Romário eram pavões em campo, chamarizes, ímãs para o olhar e para a bola. Quando terminava o jogo, suas declarações, de bate-pronto, ainda no campo, eram tão geniais, hábeis e velozes quanto o raciocínio implacável durante o jogo. Isso também acabou. O futebol foi adestrado e os jogadores, também. Parece que o que resta nesse tipo de competição é apenas sua história.
Os Estaduais já não existem. São seres fantasmagóricos competindo pelo espaço com outras assombrações nas tardes de domingo. É preciso deletar.

*Publicado originalmente na #select11.

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