Canto rompendo o escuro

Curadores anunciam, em canto da madrugada, os nomes que completam o quadro da esperada 34ª Bienal de São Paulo

Da redação

Publicado em: 27/05/2021

Categoria: Da Hora, Destaque

The supper (1988), de Belkis Ayon (Foto:José A. Figueroa/ Cortesia de Belkis Ayón Estate)

Era fevereiro de 2020 quando a programação de aquecimento da 34ª Bienal de São Paulo começou. A Bienal, que ganhou como título um verso do poeta Thiago de Mello, Faz Escuro, Mas Eu Canto, vem se desdobrando e se aprofundando ao longo do tempo para culminar em uma mostra coletiva que ocupará todo o Pavilhão Ciccillo Matarazzo em setembro de 2021. Os curadores Jacopo Crivelli Visconti e Paulo Miyada, junto à Fundação Bienal de São Paulo, anunciaram na madrugada de hoje a lista completa de 91 nomes, de 39 países, que farão parte da edição.

Todos os continentes, exceto a Antártica, estão representados em uma curadoria que pensou profundamente a ideia de diversidade de gêneros, origens e linguagens, visão que foi garantida em toda a programação. Esta será, ainda, a Bienal com a maior representatividade de artistas indígenas de todas as edições, com 10% do quadro composto por participantes de povos originários de diferentes partes do mundo.

De acordo com o curador Jacopo Crivelli Visconti, “Com um sentido de urgência ainda maior após os acontecimentos dos últimos meses, a 34ª Bienal busca estabelecer pontes entre obras e artistas que refletem múltiplas cosmovisões, culturas e momentos históricos. O processo de colocar em relação e ressonância todas essas vozes foi intenso e estimulante, vivificando um dos conceitos de Édouard Glissant que mais nos inspirou nesse caminho: o de que falamos e escrevemos sempre na presença de todas as línguas do mundo”.

O ensaísta, filósofo e poeta Édouard Glissant (1928-2011) é conhecido como o pensador dos arquipélagos. Sua pesquisa iniciou-se nas Antilhas com uma investigação dos imaginários e vieses poéticos utilizados pela população para a sobrevivência de suas culturas e saberes. Com sua pesquisa, Glissant trouxe reflexões profundas sobre o impacto violento e poético da monocultura, que atinge não só a biodiversidade, mas a sociodiversidade, como um todo.

Assim como Franz Fanon, Édouard Glissant tem sido muito citado como um dos grandes nomes nos estudos e debates decoloniais. É a partir destas perspectivas que teremos a oportunidade de ver línguas e linguagens se relacionarem no espaço de uma Bienal ainda mais plural, com presenças como o grupo teatral peruano Yuyachkani, o produtor musical jamaicano Lee “Scratch” Perry, a artista mineira Sueli Maxakali, a cubana Bélkis Ayón e o cipriano Christoforos Savva. Esses e outros 30 artistas somam suas vozes ao canto de outros 56 artistas já anunciados anteriormente, como o curitibano Gustavo Caboco, vencedor do 3º Prêmio seLecT de Arte e Educação e Jaider Esbell, vencedor do Prêmio PIPA. Acesse a lista completa de artistas participantes.

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