Racismo em Português – Angola

seLecT acompanha série de reportagens multimídia realizada por Joana Gorjão e Frederico Batista sobre racismo em ex-colônias portuguesas

Luana Fortes
Mulheres diante do Banco de Fomento Angola (Fotos: Sérgio Afonso)

A edição 36 da seLecT debruça-se sobre a língua portuguesa e as relações simbólicas que ela cria entre Portugal, Brasil e África. Diante dessa temática, Paula Alzugaray, diretora de redação da seLecT, apresenta na revista impressa uma entrevista com a jornalista portuguesa Joana Gorjão Henriques a respeito de seu livro multimídia Racismo em Português – O Lado Esquecido do Colonialismo, lançado no Brasil durante a Festa Literária de Paraty (FLIP). Para dar um gostinho do que promete a nova edição, seLecT decidiu acompanhar as cinco reportagens que compõem a publicação de Gorjão.

Entre 2015 e 2016, a jornalista visitou cinco antigas colônias portuguesas da África, ao lado de Frederico Batista. Os dois realizaram mais de 100 entrevistas para confrontar o passado colonialista de Portugal com o presente. “Os portugueses foram mais brandos e menos racistas? Racismo em português, como foi, como é?”, questionaram eles. Um dos lugares visitados foi Angola, que resultou na reportagem “Houve independência mas não descolonização das mentes”, com fotografia de Sérgio Afonso e vídeo de Ricardo Rezende.

 

Mesmo 40 anos depois da independência, os jornalistas constataram que o legado colonial ainda é perceptível no cotidiano dos angolanos. Entrevistaram um sociólogo; um filho de portugueses brancos; um ex-futebolista francês; um sacerdote, rapper, produtor e promotor cultural; presidentes de ONGs; fotógrafos; cientistas políticos; entre outros, e a herança do colonialismo português desvelou-se em forma de racismo.

A fotógrafa Indira Mateta, 30 anos na época em que foi entrevistada, contou sobre quando trabalhava em um edifício em Luanda. No andar onde ficava, quase todos eram de tom de pele mais escuro, enquanto nos andares restantes, as pessoas tinham pele mais clara. “Chamavam ‘o canal da mancha’ à nossa secção porque era a zona mais escura. Então é uma coisa explícita: as pessoas falam a rir como se fosse engraçado. A partir do momento em que as pessoas acham que ser mais escuro é ser manchado, não há muito a dizer”, revelou ela à Gorjão e Batista.

Uma das entrevistadas, Sizaltina Cutaia, gestora de projetos sociais

 

Ao serem abordados sobre tensões raciais, a maioria dos entrevistados se refere à colonização e à guerra de independência de Angola, que durou 13 anos (1961-1975). Assim como no caso brasileiro, a população angolana é caracterizada pela mistura, pela miscigenação. No entanto, as posições em que se encontram brancos na sociedade revelam privilégios. “Se olharmos para Angola e a entendermos como sociedade multirracial — eu entendo como país negro —, então temos de ter pessoas de várias raças representadas em todos os estratos”, acredita a entrevistada Sizaltina Cutaia, gestora de projetos sociais. “Mas é quase impossível ver uma zungueira (vendedora de rua) de pele mais clara. Os porteiros, os varredores de rua, os moradores das zonas menos privilegiadas são todos de pele mais escura. Isso indica um favoritismo ou uma prática que faz com que as pessoas que tenham a pele mais clara tenham uma ascensão maior”, completa.

Foi a partir de relatos como esses que Gorjão e Batista construíram o capítulo dedicado à Angola da série Racismo em Português. Para conferir a reportagem completa, acesse: publico.pt

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