Censura interditada

Primeira individual de Marilá Dardot em Lisboa investiga mecanismos de censura à literatura e a à emancipação da mulher

Paula Alzugaray

Em sua primeira individual em Portugal, onde vive há dois anos, Marilá Dardot investiga a censura à expressão da mulher na sociedade portuguesa durante o regime ditatorial (1933-1974). Adoradora dos livros, a artista construiu as quatro instalações que compõem a mostra Interdito a partir dos textos de 15 livros de autoras mulheres proibidos e dos relatórios de seus censores. O tema, visto como página virada quando Dardot iniciou sua pesquisa há cerca de um ano, torna-se assustadoramente atual, no contexto das reações intolerantes à liberdade de expressão artística que a sociedade brasileira enfrenta hoje.

O vermelho – naturalmente associado à paixão transgressora – e o azul – a cor associada à censura, em Portugal –  são as cores predominantes de Interdito. Lucido libelo contra a censura, a mostra radiografa os mecanismos com que o poder atuava contra a emancipação da mulher. Na exposição, uma homenagem à sensibilidade e a inteligência das escritoras, sua paixão, sua vivacidade e seu espírito revolucionário, com toda a nudez e a pornografia que isso possa incluir.

Serviço
Interdito, Marilá Dardot
Até 11/11
Galeria Filomena Soares
Rua da Manutenção, 80 – Lisboa
gfilomenasoares.com

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