Censura no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica

Obra do artista Órion Lalli é acusada de vilipêndio religioso por deputado estadual Márcio Gualberto

Leandro Muniz
O Centro Municipal Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução)

A exposição Lavra 2020, inaugurada em 15/2/2020, é resultado de uma residência realizada por coletivo homônimo e foi fechada na última sexta (28) pela Secretaria da Cultura do Rio de Janeiro após visita do deputado estadual Márcio Gualberto. Junto à deputada federal Chris Tonietto, o deputado registrou queixa contra o artista Órion Lalli por conta de sua obra Todxs Xs Santxs,  que após a denúncia foi renomeada de #eunãosoudespesa. 

Em depoimento nas redes sociais, o Secretário da Cultura do Rio de Janeiro, Adolfo Konder, declarou que a obra de Lalli promovia o vilipêndio e a intolerância religiosa. O pedido de censura à exposição veio após uma visita do deputado estadual Márcio Gualberto (PSL). O artista, que trabalha com performances e objetos e também é ator, disse nas redes sociais que está sendo ameaçado, caluniado e perseguido.

Nesta mesma semana, a coletiva Ruína, na Galeria Municipal de Arte de Balneário Camburiú, em Santa Catarina, foi fechada pela Fundação Cultural que administra a instituição após denúncia anônima de que a mostra apresenta imagens de nudez. Assim como no CMHO, os avisos com classificação indicativa estavam colocados e a instituição estava ciente do teor da exposição antes da abertura. Os dois casos reforçam os dados apresentados por Celso Curi, membro da equipe da Secretaria da Cultura da Prefeitura de São Paulo, durante a abertura do MIT SP, de que, desde 2018, foram 380 atos ou tentativas de censura.

A censura a essas exposições se mostram como ações conservadoras e que ferem os direitos de liberdade de expressão, em especial porque havia o aviso de que a exposição se destinava a maiores de 18 anos.  A obra de Lalli foi retirada da exposição e, como resposta ao ocorrido, no dia 7/3 às 19 hrs, no Espaço Montagem (R. Pedro I, n° 7, sala 201, Centro do Rio de Janeiro), o artista e seus colegas promovem um ato/espetáculo, além de uma roda de conversa contra a censura. 

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