Cinema, doce lar

Juliana Lopes, de Milão

Publicado em: 06/09/2012

Categoria: Da Hora, design

Semana do Design de Milão mostrou que o audiovisual invadiu todos os cômodos da casa

Milão recebe e catalisa anualmente as mais quentes novidades em design, arquitetura e tecnologia. Na Semana do Design, os primeiros contatos podem acontecer por pura atração estética e a aproximação do corpo pode ser movida pela busca de funcionalidade. Mas o nosso interesse foi além disso, investigando a carga de virtualidade dos novos objetos.

Estilos de vida estão hoje transpassados pela tecnologia. O audiovisual ganha especial importância nesse contexto, pois é a interface que nos informa, nos paralisa, ou pede para ser tocada. Dos tablets à televisão, o vídeo está em todos os lugares. Assim, objetos são desmaterializados, o sofá se transforma em banheira, a tevê se funde ao fogão e cadeiras viram poltronas de cinema retrô. Dentro de uma infinidade de exposições – cerca de 3.500 – que aconteceram na maior e mais importante feira de design do mundo, seLecT selecionou propostas de ponta que demonstram a onipresença do audiovisual em nosso cotidiano. Buon viaggio.

Secos e molhados

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A empresa Lixil trouxe de Tóquio a seguinte concepção: sinestesia no banheiro. O design visual se acopla, com igual importância, à experiência que o objeto deve propor. Assim, a banheira de contornos arredondados se completa com a espuma cremosa, que cria uma borda infinita. O seco se une ao molhado. A estrutura de baixo funciona exatamente como um pires. E, claro, a estratégica tevê de tela plana em frente traz a tecnologia para mimar o “usuário” com seu filme preferido.

Mais: www.lixil-milano.com

Invasão cinematográfica

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Legenda: Clique na imagem para assitir o vídeo exibido na exposição. (Fotos: Juliana Lopes/Estudio seLecT)

Apesar de vender lâmpadas, a italiana Foscarini cria sempre algumas das instalações mais impactantes do evento, propondo, sobretudo, transmitir sensações. Nesta edição, uma invasão cinematográfica paralisou os visitantes. A natureza, tema de vídeos, foi apresentada em projeções coreografadas entre diversas telas. Eclipses, explosões e fenômenos atmosféricos estão entre as imagens, acompanhados por uma direção sonora impecável. Essa viagem pelo espaço expositivo pode terminar, ou não, numa salinha onde ficam, concretamente, os objetos comercializados. Sem dúvida, o mais elegante dos displays da feira.
Mais: www.foscarini.com

Banheiro cromaqui

Cinema4Um lugar onde a mais básica das funções do dia – o banho – vem agregada a dispositivos visuais. Chuveiro com rádio acoplado já era um produto conhecido: a música com banho nos soa familiar. O “banho visual”, no entanto, em que podemos escolher as cores das luzes que também nos banham (de cromoterapia), diz algo a mais sobre nossa hiperatividade tecnológica. Queremos todos os sentidos aguçados? A água quente, a música escolhida e, agora, um pouco de azul ou laranja? O projetor que forra de vídeo todo o ambiente, como um papel de parede, responde à pergunta.
Mais: www.samo.it

Fogões tablet

Cinema1Ficou decidido tacitamente que toda cozinha quer ser um tablet. Os italianos em geral detestam mexer nas tradições culinárias, mas adoram repaginar o fogão, que virou uma superfície desmaterializada, funcionando via touch screen. Esse modelo, chamado InfinitePure, da Electrolux, resume o que há de ponta, por enquanto: uma tela de vidro-cerâmica conectada a dispositivos que reconhecem a panela. São as placas de indução que, agora, têm localização ilimitada. Qualquer lugar onde se coloca a panela, ela é reconhecida por sensores. O chef-navegador-virtual pode escolher a exata potência do calor que será transmitido ao alimento. Quando desligado, esse fogão se torna o que o novo ambiente pede: nada. Mas isso, por enquanto. Podemos esperar para os próximos anos um fogão que guarda dados de receitas, pesa alimentos e é comandado online.
Mais: www.electrolux.it

Cineminha caseiro

Cinema

Legenda: Clique na imagem para assistir ao filme exibido na exposição. (Fotos: Juliana Lopes/Estudio seLecT)

A grande sacada dessa instalação é, simplesmente, enfileirar cadeiras em frente a um telão. Então todos podem ter um cinema em casa? Sim, mas o cineminha da eslovena Nika Zupanc parece algo de que estranhamente sentimos saudade. Não por acaso, Zupanc, que já produz com Mooi e Morosini, ganhou um canto especial entre os mais jovens e promissores criadores da tendência de amanhã. Suas propostas ricas em feminilidade merecem ser revistas. Porque, talvez, o amanhã também queira ser como ontem.

Mais: www.nikazupanc.com

*Publicado originalmente na edição impressa #6.

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