Cinema Lascado

Recorte do trabalho da especialista em artemídia, Giselle Beiguelman, é apresentado na Caixa Cultural São Paulo  

Ana Abril

Publicado em: 14/07/2016

Categoria: Da Hora, Destaque, Notícias Quentes

De forma coesa, porém heterogênea – pois os artistas têm estilos variados, do figurativo ao abstrato, do expressionismo ao geométrico – os conteúdos das obras manifestam as inevitáveis transformações que uma mudança como a imigração, legal ou clandestina, pode ocasionar nas pessoas. Entre eles estão a história dos africanos que, no século XVI, migraram de maneira forçada para a América, em decorrência do tráfico negreiro; a riqueza cultural trazida para o Brasil por esse e outros povos, como italianos, alemães, espanhóis e japoneses; e os recentes fluxos migratórios irregulares no Brasil e na Europa.

Arte, tecnologia e urbanismo integram-se no trabalho da artista, pesquisadora e professora da FAU USP, Giselle Beiguelman, que apresenta na exposição Cinema Lascado um recorte de seu trabalho realizado durante os últimos 10 anos.

O principal interesse de Beiguelman, que também faz parte do conselho editorial da seLecT, é a obsolescência programada, ou seja, a decisão de propositadamente desenvolver um produto não-funcional. A relação entre programas antigos e máquinas novas, e vice-versa, é outro foco de sua pesquisa. “Não existe possibilidade de vida fora do tempo presente e nosso presente está fortemente ligado às tecnologias, que fazem parte da nossa cultura, lógica afetiva e relações”, explica Beiguelman.

Fotograma de Cinema Lascado - Minhocão

Fotograma de Cinema Lascado – Minhocão

Por meio de softwares, ferramentas e aparelhos eletrônicos que abrangem várias gerações, a artista apresenta uma série de vídeo instalações, projeções e imagens inéditas. Além disso, as metrópoles possuem um papel fundamental no seu trabalho, segundo Beiguelman: “A cidade é o próprio horizonte visual e conceitual dos meus trabalhos. É a razão de ser da exposição”.

Com isto em mente, a artista filmou vias elevadas, como o Minhocão, em São Paulo, e a já extinta Perimetral, no Rio de Janeiro, para criar dois dos seus principais trabalhos: Cinema Lascado – Minhocão e Cinema Lascado – Perimetral, respetivamente. Após as filmagens, ela editou os vídeos gravados em HD com programas de edição obsoletos, provocando a quebra das imagens. Com essa montagem, os visitantes conseguem realizar percursos impossíveis como passear pela Perimetral e, ao mesmo tempo, observar sua implosão.

Trabalho da artista Giselle Beiguelman

Trabalho da artista Giselle Beiguelman

Apesar da estreita relação com a tecnologia, Beiguelman frisa a relevância do papel do homem nos processos de trabalho. “Me interessam as parcerias entre homem e computador. No meu trabalho, por exemplo, eu perco o controle do processo e, dessa interação com as máquinas e do descontrole, nascem resultados que eu nunca posso antecipar no começo do trabalho”, revela.

Ao ser questionada sobre a existência de uma obsolescência urbanística, a especialista em artemídia é assertiva: “De alguma maneira existe essa obsolescência urbanística, prova disso é a falência de grandes planos corporativos ou as avenidas criadas especialmente para serem ocupadas por carros”. A relação única entre o velho e o novo, a high e o low-tec, as cores nascidas da tecnologia e a cidade são postas à prova em Cinema Lascado, em cartaz até 25/9.

Serviço
Cinema Lascado
Caixa Cultural São Paulo
Praça da Sé, 111, São Paulo
De 16/6 a 25/9
De terça-feira a domingo, das 9h às 19h
www.caixacultural.com.br

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