Coabitar as ruínas do Valongo

Valongo Festival leva exposições, oficinas, seminários, mostra de cinema, shows e performances a bairro histórico de Santos

Luana Fortes
O Estúdio Bijari foi responsável pela expografia do festival e apresenta projeção mapeada com uma seleção de fotos do Arquivo Zumzi (Foto: Divulgação)

Com curadoria assinada por Diane Lima, a terceira edição do Valongo Festival Internacional da Imagem acontece entre os dias 12 e 14 de outubro, com o tema Não Me Aguarde Na Retina. Gratuito, o evento ocorre tradicionalmente no histórico bairro da zona portuária de Santos chamado Valongo, de onde o festival recebe seu nome.

De acordo com a curadora, esta edição começou com a elaboração de um vocabulário que desse conta de tratar das inquietações que a presença do evento traz ao bairro. “Ao invés de palavras direcionadas ao ato de ocupar e revitalizar, passamos a coabitar e dialogar com suas ruínas, monumentos, edifícios históricos, igrejas, museus, praças e ruas”, conta à seLecT. Contagiado pelas histórias do território, o festival promove 57 atividades entre os três dias de programação, com a participação de mais de 100 artistas, brasileiros e estrangeiros. Um dos convidados especiais é o angolano Kiluanji Kia Henda, que apresenta a individual Sem Título, Sem Pele – Da Tragédia À Utopia, na doca valongo. O artista também ministra a oficina Viajando Para o Sol Durante A Noite, das 14h às 18h do dia 13/10, e o seminário homônimo às 11h de 14/10. O trabalho de Kia Henda já ganhou portfólio da revista seLecT, na edição #36, dedicada à Língua Portuguesa (acesse aqui).

  • Trabalho de Castiel Vitorino, um dos artistas que realiza residência no Valongo e apresenta exposição em container durante o festival (Foto: Divulgaçõ)
  • Trabalho de Davi de Jesus, um dos artistas que realiza residência no Valongo e apresenta exposição em container durante o festival (Foto: Divulgaçõ)

A programação traz reflexões sobre a função política da imagem acerca de tornar discursos verdades, além de expor e problematizar contextos sociais de visibilidade e invisibilidade. A curadoria buscou revelar simulacros engessados e processos que violam estereótipos do mundo das imagens. Diane Lima destaca as fotografias do arquivo Zumvi, exibidas na mostra Zumvi – A Gente Se Acende É Nos Outros, na Rua São Bento. Com mais de 30 anos de existência, o acervo tem fotos de comunidades negras da Bahia e mostra suas expressões políticas e culturais.

O festival, que é idealizado e dirigido por Thamyres Matarozzi, também dá voz a artistas que falam do mundo a partir de si e não mais sobre si a partir do mundo. “Corpos que, no auge da reinvenção de novas práticas de auto-determinação, anunciam um mundo onde não mais estão na posição de interdependência com o outro, mas fazem a sua própria dobra, exercendo as suas singularidades anti-temáticas”, afirma Lima, complementando que não são desconsideradas as décadas de denúncia que tiveram como protagonistas outros corpos e ativismos sociais. Nesse sentido, a curadora aponta para a exposição coletiva Não Me Aguarde Na Retina, que leva obras de 20 artistas aos espaços RDC, Ruínas, Arcos do Valongo e Quilombo do Pai Felipe. O artista brasileiro Negalê Jones é um dos participantes da mostra com ativações, paisagens sonoras e performances sobre ritmos naturais e as relações entre a bioeletricidade humana e a etnobotânica.

Entre outras exposições, oficinas e seminários, o Valongo também conta com shows, performances, visitas guiadas e a mostra de cinema África e Europa: Atualidade e Diáspora, curada pelo Goethe Institut.

Confira a programação completa aqui.

Serviço
Valongo Festival Internacional da Imagem
De 12/10 a 14/10
Santos – bairro Valongo
valongo.com

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