Coleção Airton Queiroz

Em viagem exclusiva a Fortaleza, seLecT revela as obras prediletas dos curadores e do próprio colecionador

Ana Abril

Publicado em: 19/06/2016

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Visitantes observam obras de Candido Portinari (Foto: Ares Soares/Unifor)

Ao longo dos próximos seis meses, Fortaleza irá se inserir no polo cultural e artístico – representado por Rio de Janeiro e São Paulo – e se tornar protagonista. A razão é a exposição da Coleção Airton Queiroz, formada por 252 obras de altíssima qualidade, valor e relevância, que está exposta ao público pela primeira vez, no Campus da Universidade de Fortaleza (Ceará). A mostra é uma pequena seleção das 700 obras que povoam a casa de estilo colonial do colecionador, cuja aventura no universo da arte teve início há mais de 50 anos.

Trabalhos de Volpi (Foto: Ana Abril)

Trabalhos de Volpi (Foto: Ana Abril)

O mecenas pertence a uma família tradicional do Ceará e entusiasta de arte. Unindo sua coleção pessoal às obras pertencentes a seu pai, a Coleção da Fundação Edson Queiroz, são 1.600 peças cuja autoria vai de Aleijadinho a Beatriz Milhazes, passando por Volpi, Monet, Dalí e Miró.

O visitante se depara com a magnitude da mostra apenas após percorrer o primeiro e o terceiro andar do prédio da reitoria, onde está situada. A exposição está dividida em cinco seções organizadas por períodos históricos e movimentos artísticos e tem curadoria de Max Perlingeiro, José Roberto Teixeira e Fábio Magalhães, ex-diretor do Masp. No entanto, os três curadores afirmam em uníssono que “o verdadeiro curador da coleção é o próprio Airton Queiroz”. A afirmação não tem nada de mentira, levando em conta que o colecionador sempre adquiriu as obras com base em seu olhar estético e sem seguir orientações.

Paisagem de Várzea, de Frans Janszoon Post (Foto: Ana Abril)

Paisagem de Várzea, de Frans Janszoon Post (Foto: Ana Abril)

O passeio pela mostra começa no Brasil Holandês, onde o tímido, mas poderoso Paisagem de Várzea, de Frans Janszoon Post, recepciona os visitantes. A timidez deve-se à tênue luz disposta sobre o quadro, para não danificar a aquarela; enquanto o poderio é proveniente da importância histórica da tela, datada de 1657 e realizada por um dos pintores a serviço do Conde Maurício de Nassau, então governador do Brasil Holandês.

(Foto: /Unifor)

Gabrielle et Jean Renoir, de Pierre-Auguste Renoir (Foto: Ares Soares/Unifor)

O ponto forte dessa seção, contudo, é o Gabrielle et Jean Renoir, de Pierre-Auguste Renoir, a obra mais valorizada da coleção que, segundo Max Perlingeiro, “está estimada em R$ 4 milhões”. Porém, a tela Vaso de Flores, de Guignard, é a obra mais cara de um brasileiro já leiloada, por R$ 5,7 milhões, e também pertence ao colecionador Airton Queiroz. Apesar da experiência de Perlingeiro, não foi possível obter uma estimativa do valor da coleção completa. “Não é charme, não poderia calcular a cifra. Mas é bastante expressiva”, afirma o marchand.

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Calle y Café, de Joaquín Torres-García (Foto: Ana Abril)

Embora não tenha sido possível revelar as cifras, seLecT perguntou quais são as obras prediletas dos curadores. Perlingeiro, o principal responsável pela curadoria ao escolher a museografia, suspira antes de responder: “Se tivesse que escolher, fico com o conjunto de Antonio Bandeira e as pinturas de Joaquín Torres-García”.

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Vaso de Flores, de Alberto da Veiga Guignard (Foto: Ana Abril)

Durante o percurso pelo modernismo, que inclui obras de Tarsila de Amaral, Anita Malfatti, Lasar Segall, Antônio Gomide, Cícero Dias e Vicente de Rego Monteiro, o curador Fábio Magalhães afirma: “Di Cavalcanti teve altos e baixos na sua carreira, mas nesta mostra só podemos observar obras magníficas. O Doutor Airton tem um olhar fantástico”. Na mesma sala que abriga as obras de Emiliano Di Cavalcanti, figura uma das peças prediletas do curador, Prometheus II, de Maria Martins. “Qual é minha obra predileta? Mas que pergunta indiscreta, é muito difícil escolher uma única peça da coleção. Os retratos de Yvonne, de Visconti, são maravilhosos”, acaba por revelar. Teixeira concorda com o companheiro e adiciona: “Eu adoro Pancetti, mas nessa coleção tenho que reconhecer que existem peças mais relevantes, como a de Renoir ou o Vaso de Flores de Guignard”.

Escultura de Tunga (Foto: Ana Abril)

Escultura de Tunga (Foto: Ana Abril)

Curiosamente, nenhum dos três curadores menciona peças da seção de arte contemporânea, o que não retira valor à coleção. Tunga, Beatriz Milhazes, Adriana Varejão e Vik Muniz são alguns dos nomes dessa sala. Ao lado, um espaço dedicado a arte-educação é ressaltado por Perlingeiro durante a conversa. “Pretendemos criar um espaço inovador de arte-educação. A intenção é que as pessoas possam interagir e trabalhar em duplas”, explica, ao mesmo tempo em que faz referência a reproduções de obras de Tarsila do Amaral e de Volpi, com imãs, para que crianças e adolescentes possam interagir e montá-las como quebra-cabeças. “Agnaldo Farias realizou duas sessões de treinamento para os educadores”, conta.

A Catedral, de Antonio Bandeira (Foto: Ana Abril)

A Catedral, de Antonio Bandeira (Foto: Ana Abril)

A cereja do bolo da abertura ocorreu com a esperada presença do colecionador Airton Queiroz, que não é muito amigo das fotos e das entrevistas. Apesar disso, seLecT não pode encerrar a visita sem perguntar qual é a obra preferida do colecionador. As apostas giravam em torno de A Catedral, de Antonio Bandeira, primeira obra que ele adquiriu com apenas 16 anos. Porém, Airton Queiroz, com a mão no coração, responde: “Eu adquiri cada uma dessas obras e cada dia teve um significado tremendo na minha vida. Todas as peças são as minhas prediletas”.

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