Colecionismo também é patrimônio

Tanto pela qualidade dos trabalhos que a compõem, quanto pelo modelo de colecionismo que apresenta, Coleção Nemirovsky é tombada pelo Iphan

Luana Fortes
Uma das obras da coleção Nemirovsky é Carnaval em Madureira (1924), de Tarsila do Amaral (Foto: Isabella Matheus)

Durante 30 anos, o casal paulista José e Paulina Nemirovsky construiu uma coleção de indubitável importância para a preservação da produção artística do Brasil. Agora, o conjunto que reúne os principais nomes do modernismo do país passa a ser considerado oficialmente Patrimônio Cultural Brasileiro. O Conselho Consultivo do Iphan aprovou em 27/9 o pedido de tombamento da coleção após realização de estudo sobre colecionismo no país. A conclusão da pesquisa foi que diante da política de aquisição de obras dos Nemirovsky – entre elas Anfropofagia, de Tarsila do Amaral, e Mulheres na Janela, de Di Cavalcanti – é possível identificar um modelo de colecionismo nacional disseminado a partir dos anos 1960.

Além da relevância dos nomes que compõem o conjunto, a forma pela qual se constituiu a coleção merece atenção. José estudou História da Arte e Pintura, tinha estreitas relações com críticos, outros colecionadores e marchands e realizava visitas a ateliês de artistas com frequência. Seu contato imersivo com o universo da arte chegou até Paulina, que também se tornou aficionada pela área, e o resto é história. O casal iniciou suas aquisições em 1958 e até a década de 1970 comprou mais de 200 obras, incluindo desde peças de mobiliário, até gravuras e desenhos de europeus como Picasso, Braque e Chagall. A coleção pertence à Fundação José e Paulina Nemirovsky mas pode ser apreciada pelo público na Pinacoteca de São Paulo, onde se encontra em regime de comodato desde 2005.

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