Cotidiano repagina galeria tradicional

Juliana Monachesi

Publicado em: 01/10/2012

Categoria: artes visuais, Crítica

Curadoria de Mario Gioia coloca a Galeria de Arte André de volta no mapa da arte contemporânea

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Legenda: Neblina (2012), instalação de Ivan Grilo na mostra Cotidiano, na Galeria André

Caso a vista do cruzamento entre as ruas Estados Unidos e Gabriel Monteiro da Silva, retratada acima, seja novidade para você, então chegou o dia de você deixar seus preconceitos do lado de fora e entrar na tradicionalíssima Galeria de Arte André. A maior parte dos frequentadores do circuito de galerias de arte contemporânea só conhece a fachada da galeria André, de passar a pé ou de carro por ali a caminho da Zipper, da Logo ou da Vila Madalena. São da opinião de que ali só há arte moderna ou obras decorativas para ver. Certo?

Errado. A exposição coletiva Cotidiano, com curadoria de Mario Gioia, que fica em cartaz até o próximo sábado, dia 6, marca um redirecionamento da galeria e apresenta, lado a lado, obras do acervo da André, entre as quais estão pinturas de Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Cícero Dias e Eliseu Visconti, e obras de artistas atuantes na cena paulistana, como Angela Santos, Cecilia Walton, Ivan Grilo e Rodrigo Cunha.

O ponto alto da curadoria está no feliz encontro entre Aldeia a Beiramar (1984), de Fulvio Pennacchi, e Ateliezinho (2012), de Rodrigo da Cunha. A tela de Pennacchi representa uma vila de pescadores em que os moradores protagonizam serenamente seus labores diários. A pintura de Cunha mostra o interior de seu ateliê, onde elementos prosaicos do cotidiano do artista revelam características íntimas de seu processo de trabalho. E há muitos outros encontros surpreendentes, como na abertura da exposição, nos retratos criados por Eliseu Visconti em 1921 e por Clarice Gonçalves em 2003. 

Ou na tríade formada por telas de Marco Stellato, Carlos Scliar e um vídeo de Angela Santos. “Se a pintura de tons terrosos de Teruz, a retratar melancólicas cenas das bordas urbanas, parece prenunciar o desordenado crescimento da urbe brasileira, Cotidiano exibe trabalhos de outros artistas que atestam o status conflitante da cidade contemporânea. Sob certa perspectiva, Angela Santos, Marco Stellato e Rafael Resaffi lidam com uma metrópole lacerada, cindida”, analisa o curador no ensaio do catálogo, afirmando ainda adiante que na tríade Stellato, Scliar e Santos existe uma coincidência temática de criar passagens para outros lugares por meio do superenquadramento.

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O romeno André Blau fundou a Galeria de Arte André em 1959. A sede na rua Estados Unidos passou por expansões ao longo dos anos e hoje possui mais de mil metros quadrados. Blau trabalhou diretamente com muitos dos artistas que hoje são os mais representativos de seu acervo. Recentemente, a filha do galerista, Juliana Blau, após retornar de alguns anos de formação no exterior, assumiu a diretoria do espaço, com o objetivo de criar um novo programa de exposições acolhendo artistas em início de carreira e também dando espaço a nomes já estabelecidos. Para acompanhar de perto!

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