Crowdfunding cultural

Juliana Monachesi

Publicado em: 07/11/2012

Categoria: cultura digital, Reportagem

Plataformas online angariam financiamento coletivo para projetos de arte

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Legenda: O projeto de Linha do Tempo da Bienal foi viabilizado por meio de patrocínio de 600 simpatizantes da causa

O modelo de financiamento por crowdfunding é novidade no Brasil e no mundo. Começou nos Estados Unidos no início dos anos 2000 e se popularizou com o lançamento do site Kickstarter, em 2009. A ideia é que iniciativas de pessoas ou organizações sejam apoiadas pelo esforço coletivo de indivíduos reunidos em rede (em geral, pela internet) que compartilhem dos ideais da iniciativa em questão e possam/queiram disponibilizar recursos para viabilizar o projeto.

Diversas plataformas de crowdfunding surgiram desde então para fazer acontecerem shows de bandas de pequeno e médio porte que não possuíam uma grande empresa por trás para financiar suas turnês, mas que contavam com fãs em número suficiente para adiantar o valor do ingresso, comprando cotas do crowdfunding, somatória que viabilizava a realização do show, a que todos os que tinham colaborado tinham entrada gratuita garantida (pelo modelo de contrapartidas do site). Todo mundo sai feliz, por isso o modelo deu tão certo.

No Brasil existem diversas iniciativas do gênero que, aos poucos, têm se aberto também a outras áreas culturais. A plataforma do Catarse, por exemplo, tem sido usada por instituições de arte e por artistas para colocar projetos de pé. Neste ano, a Fundação Bienal de São Paulo apresentou, via Catarse, um projeto de publicação em comemoração aos 60 anos de sua história. Assinada pelo designer e tipógrafo Claudio Rocha, a Linha do Tempo da Bienal foi concebida para contar a história das Bienais de arte de São Paulo em um impresso sanfonado, de cerca de 4 metros, produzido de forma semiartesanal.

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“Você sabia que a 2ª Bienal trouxe ao Brasil a obra-prima de Picasso, Guernica, e que na 4ª Bienal foi exposta a famosa obra de Pollock, One: Number 31, da coleção do MoMA? Sabia que o júri de seleção da Bienal já teve nomes como o arquiteto alemão Walter Gropius e o filósofo tcheco Vilém Flusser? Foi apenas na 16ª Bienal que surgiu a figura do curador geral, e o primeiro deles foi o professor Walter Zanini. Nessa mesma Bienal, o polêmico Cildo Meireles apresentou sua marcante obra La bruja. A Bienal já apresentou no Pavilhão Ciccillo Matarazzo alguns dos maiores nomes da arte mundial: em 1987, dedicou-se uma sala especial ao precursor da arte conceitual Marcel Duchamp, e na 24ª Bienal, ao expoente brasileiro Vik Muniz. A Linha do Tempo da Bienal vai mostrar, de forma condensada e atraente, esses e outros fatos que fizeram dela uma das mais importantes exposições de arte do mundo. Interessados em apoiar o projeto têm opções de investimento com contrapartidas interessantes para todos: além de constar como apoiador do projeto e receber a Linha do Tempo em casa, também é possível receber catálogos da 29ª e 30ª Bienais, convites para a abertura exclusiva para convidados da 30ª Bienal (em 4 de setembro de 2012), e associações ao MaisBienal (programa de cursos e participações VIP em eventos da Bienal).” Diante de um convite desse, quem recusaria colaborar?

Para acontecer, o projeto precisava de 30 mil reais. Captou R$ 47,5 mil.

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Você deve estar pensando: mas a Bienal de São Paulo é uma instituição de renome no país inteiro – e no mundo. Como é que alguém desconhecido poderia obter o apoio necessário para realizar um projeto ambicioso de arte? Conheça alguns projetos de pessoa física que foram financiados coletivamente no Catarse:

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Legenda: A artista Estela Miazzi conseguiu viabilizar um livro de artista.

Tatuí

Legenda: A revista de arte Tatuí captou os recursos para publicar sua 12a edição.

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Legenda: A artista Maíra das Neves conseguiu dinheiro para reformar seu ateliê.

Outras plataformas de crowdfunding no Brasil, como MovereQuero Incentivar, Ativa Aí e Queremos começam a dar espaço para projetos de cultura de fora do universo da música. Cada um tem um perfil específico – o Quero Incentivar, por exemplo, só hospeda projetos que tenham sido aprovados em leis de incentivos fiscais -, mas são um modelo interessante que merece a atenção de todos os empreendedores da área de artes.

Santa-helena

Legenda: O livro Santa Helena trata do legado que um palacete e um pequeno grupo de artistas, formado por imigrantes italianos e filhos de imigrantes, deixou na história da arte moderna do Brasil

Conheça a projeto do livro no endereço do Quero Incentivar.

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Legenda: Projeto de intervenção urbana com vídeo está captando verba no Quero Incentivar

Conheça a proposta do Vídeo Guerrilha, da produtora Visual Farm, no endereço:

http://queroincentivar.com.br/projeto/video-guerrilha-3a-edicao

Carambei

Legenda: Até uma proposta de parque encontra espaço no sistema de crowdfunding

Conheça o projeto do Parque Histórico de Carambeí no endereço:

http://queroincentivar.com.br/projeto/projeto-parque-historico-de-carambei

Labirintos-interiores

Legenda: Projeto de arte que pretende difundir o artesanato e as artes aplicadas do interior do Brasil

Conheça a proposta da exposição Labirintos Interiores – Mãos que Moldam no endereço:

http://catarse.me/pt/labirintos-interiores-maos-que-moldam

João-césar-melo

Legenda: O artista João César de Melo está buscando financiamento para seu livro Páginas.

Conheça a ideia do livro de desenhos do artista de Santos no endereço:

http://catarse.me/pt/livropaginas

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