Curadoria da informação

Paula Alzugaray

Publicado em: 05/12/2013

Categoria: Editorial, SeLecT#15

Nas bancas, games sociais, uma entrevista com Lev Manovich, artistas que usam cenas banais para criar imagens extraordinárias e um Natal cult

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Legenda: Frame de The Johnny Cash Project (2010), de Aaron Koblin (foto: Divulgação)

Like it or dislike it, fato é que as redes sociais não são simplesmente simulacros da vida. Sim, concordamos que são espaços de ócio, trabalho, pesquisa, informação, comunicação ou azaração. Via mídias sociais, a sociedade debate os grandes temas da atualidade – e também fomenta bobagens monumentais. Ao produzir esta edição, reconhecemos a dimensão de autonomia que esses meios de comunicação conquistaram em relação ao mundo “real”. A grande imprensa, por exemplo.

Em reportagem de Nova York, Marcos Augusto Gonçalves aponta de que forma os periódicos tradicionais estão promovendo o conceito de “jornalismo aberto” para renovar sua imagem no ambiente interativo da blogosfera e assim fazer frente ao avanço de estatísticas desafiadoras: hoje, 30% dos adultos que vivem nos EUA consomem informações jornalísticas no Facebook.

A maior das redes sociais faz 10 anos em 2014. E quando os índices de conteúdos postados na internet chegam à escala dos petabytes, insistimos que o jornalismo tem, entre suas funções primordiais, a de curadoria da informação. Nesta edição dedicada ao absoluto transbordamento das mídias, a revista se coloca como um dique.

Em seLecT 15, analisamos os maiores aglutinadores das redes, os games sociais; detectamos no trabalho do artista e designer Aaron Koblin uma nova linguagem cultural, os filmes sociais; e ouvimos uma autoridade em cultura visual contemporânea, o teórico Lev Manovich. Em entrevista a Giselle Beiguelman, o autor do referencial The Language of New Media (2001) adverte que as redes sociais possibilitam uma comunicação visual em alto nível, mas não estão expandindo nossa imaginação.

Cabe, portanto, aos artistas a indicação dos usos criativos das redes. Trazemos aqui o trabalho recente da artista norte-americana Laurel Nakadate, capa desta edição, que convidou amigos de amigos do FB para participar de uma nova série fotográfica, Star Portraits. Usuários e protagonistas do dia a dia das redes também não poderiam deixar de estar presentes e estão contemplados na reportagem de Luciana Pareja Norbiato sobre os aplicativos de relacionamento e sexo.

Last but not least, não perca a chance de se indispor com esse estado geral das coisas, participando de uma das redes antissociais destacadas por seLecT.

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