Da fotografia ao Brasil profundo

SP-Arte Rotas Brasileiras realinha o modelo da SP-Foto a temas atuais

Luana Rosiello

Publicado em: 15/08/2022

Categoria: Da Hora, Destaque

Série Elementar Fogo (2018), de Uýra [Foto: Matheus Belém / C. Galeria]

Depois de sete anos dedicada unicamente à produção fotográfica, o segundo evento anual da SP-Arte reprograma sua proposta na agora intitulada SP-Arte Rotas Brasileiras. Entre 24 e 28/8, na ARCA, no galpão industrial na Vila Leopoldina, em São Paulo, a feira busca estreitar laços entre agentes culturais dos cinco cantos do país, abrangendo múltiplas linguagens artísticas, em lugar da aposta em produções fotográficas. Com cerca de 70 expositores e projetos convidados, a edição traz nomes que se interessam em falar sobre os modos e fazeres artísticos do Brasil, atenuando fronteiras entre o erudito e o popular, o centro e a periferia, o comercial e o institucional, a fim de mapear as diferentes cosmovisões existentes nos muitos Brasis.

“Existe uma produção de altíssima qualidade que vem da Amazônia, do Vale do Jequitinhonha, de capitais e interiores em diferentes regiões às quais nem sempre temos acesso. A nova configuração da SP-Foto é um convite a essa imersão”, aponta Fernanda Feitosa, diretora da SP–Arte. O principal destaque da edição fica a cargo de oito projetos convidados, em sua maioria de fora do eixo Rio-São Paulo, que assinam exposições próprias. A Fundação Romulo Maiorana traz para a ARCA uma representação da Arte Pará, projeto idealizado pelo jornalista Romulo Maiorana (1922-1986), no início dos anos 1980, de criar um espaço de apoio aos artistas paraenses e um diálogo da região Norte com o país, e que chega em 2022 à 40ª edição. Há mais de 20 anos, Paulo Herkenhoff é curador geral do evento, trabalho que compartilha na edição deste ano com as curadoras adjuntas, Laura Rago, Roberta Maiorana e Vânia Leal. 

  • Para Estratégias de Sobrevivência, as Maiores Tecnologias São as Nossas, da série Atualizações Traumáticas de Debret (2020), de Gê Viana [Foto: Cortesia Galeria Superfície/Arte Pará]
  • Respiradores (2022), de Francesco D'Ávila [Foto: Prêmio Museu é Mundo]
  • Munduruku, Altamira (2013), de Lalo de Almeida [Foto: Uma Concertação pela Amazônia]
  • Cerâmicas de Noemisa Batista Dos Santos [Foto: Novos Para Nós]
  • Série Bumba Meu Boi do Maranhão, de Marcio Vasconcelos [Foto: PREAMAR]
  • Fotografia de Pierre Verger [Foto: Fundação Pierre Verger]
  • Série Fundo Infinito (Déc. 1970), de Mario Cravo Neto [Foto: Instituto Mario Cravo Neto]

Outro projeto é a Concertação pela Amazônia, criada em 2020 como espaço de discussões para que diversas iniciativas em prol da região amazonense pudessem se encontrar, dialogar e ampliar o impacto de suas ações. Na feira, realiza mostra de fotografias da região, com curadoria de Eder Chiodetto. O Novos Para Nós, iniciativa de Renan Quevedo que mapeia a arte popular de todo o Brasil, apresenta uma seleção de trabalhos de artistas do Vale do Jequitinhonha. O projeto Bancos Indígenas do Xingu (MT) traz ao galpão da ARCA objetos produzidos por artistas das etnias Kamayurá, Mehinaku e Waujá, alargando o conceito de função à dimensão simbólica desses objetos. Além dos projetos citados, também estão presentes a Fundação Pierre Verger, o Prêmio Museu É Mundo, Wesley Duke Lee Art Institute, PREAMAR e Instituto Mario Cravo Neto.

Para contribuir com as discussões da edição, a Vivo organiza a mostra Rotas Indígenas Brasileiras – Arte em Tempo Presente, com curadoria de Denilson Baniwa, pautando a intersecção entre arte e tecnologia para os povos indígenas. A partir da provocação “Não existem índios no Brasil, existem indígenas”, de Daniel Munduruku, a exposição reúne pinturas, esculturas e peças audiovisuais que versam sobre preconceitos, territórios, apagamentos culturais, violências simbólicas e físicas de uma perspectiva atual. Entre os artistas, estão Oz Guarani, Amanda Panka, Katú Mirim, Xadalú Tupã Jekupé, Olinda Yawar e o próprio curador. No espaço imersivo, denominado Aity (que significa ninho, em nheengatu, derivado do antigo tupinambá), acontecem, além da mostra com obras inéditas, rodas de conversa com os artistas e visitas guiadas presenciais a partir de audioguias, além de contato com a culinária das culturas indígenas.

Frame do filme Não Existem Índios, de Danilo Arenas [Foto: Divulgação]

As galerias paulistanas marcam presença em Rotas Brasileiras, como Almeida & Dale, C. Galeria, Central, Choque Cultural, DAN Galeria, Galeria Marília Razuk, Galleria Continua, Gomide&Co, HOA, Luisa Strina, Millan, Nara Roesler, Paulo Kuczynski, Sé, Vermelho, VERVE e Zipper. Além delas, a Galatea, nova galeria da capital paulista, dos sócios Antonia Bergamin, Conrado Mesquita e Tomás Toledo, faz sua estreia na feira. Parte dos expositores vem de outros Estados, como Marco Zero (PE), Paulo Darzé e Alban (BA), Karandash (AL), Karla Osório (DF), Rodrigo Ratton, Belizário, AM Galeria e Celma Albuquerque (MG), Zielinsky (RS) e Zilda Fraletti (PR).

SERVIÇO:
SP-Arte – Rotas Brasileiras 
ARCA, Av. Manuel Bandeira, 360
De 24 a 28/8
R$ 50

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