Da rua para o cubo branco

Individual de Marcelo Cidade transpõe para dentro do espaço expositivo a realidade conflituosa da vida política brasileira

Felipe Stoffa

Publicado em: 07/10/2016

Categoria: Da Hora, Notícias Quentes

Vista da exposição (Fotos: Edouard Fraipont)

Ao se atentar para problemáticas sociais resultantes das tensões entre público e privado, Marcelo Cidade transpõe para dentro do espaço expositivo a realidade conflituosa da vida política brasileira. Esse objeto de estudo, apesar de recorrente no percurso do artista, forma o ponto de partida para sua quinta individual na Galeria Vermelho, Nulo ou Em Branco.

A cidade é tema privilegiado de seus trabalhos. Formado em 1998 pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), sua produção, desde os tempos da faculdade, quando trabalhava com performances, pintura e graffiti, se desenvolveu a partir da busca por uma ação no espaço urbano. Segundo o pesquisador Miguel Chaia, “Marcelo Cidade é um artista que cria ou altera o ambiente ao seu redor, produzindo um outro lugar poeticamente expressivo. Por meio de diferentes operações estéticas reinventa formas de linguagem constituindo, assim, novos e surpreendentes espaços, fazendo aflorar heterotopias – possíveis, principalmente, enquanto experiência que une arte e vida”.

Vista da exposição (Foto: Edouard Fraipont)

Vista da exposição 

A urna eletrônica, placas de outdoor, cacos de vidro colocados nos muros das residências como forma de proteção, o colchão do morador de rua. Esses são alguns dos objetos cotidianos que Marcelo Cidade subverte, matéria de base para a produção de todos os trabalhos da mostra. Essa subversão se apresenta logo na entrada da galeria com a obra Ocitarcomed, palavra aparentemente inventada disposta na fachada do edifício, formada a partir da inversão do termo “democrático”.

Fachada da Galeria Vermelho com o Trabalho Ocitarcomed (Foto: Edouard Fraipont)

Fachada da Galeria Vermelho com o Trabalho Ocitarcomed 

Em uma exposição voltada para questões do cotidiano, é inevitável que o corpo também ganhe espaço para questionamento. Em Nulo ou Em Branco, trabalho que dá nome à mostra, uma cabine de urna de votação construída em cimento se constitui como espaço – ou, no caso inverso, a falta dele – para se questionar a necessidade de proteção de valores implícitos nas escolhas eleitorais. Essa curiosa sensação de ausência, transmitida por seus trabalhos, é também reflexo da exclusão.

Serviço
Nulo ou Em Branco
Galeria Vermelho
Rua Minas Gerais, 350, Higienópolis, São Paulo
Até 5/11
De terça a setxa-feira, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 17h
Tel.: (11) 3138 1520

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