Daniel de Paula: a cidade no cubo branco

Artista nascido nos EUA e criado no Brasil abre individual no braço paulista da galeria britânica White Cube

Luciana Pareja Norbiato

Publicado em: 20/06/2014

Categoria: A Revista, Agenda, Selects

Foto-performance Towards the Great Labyrinth II (2013), em que o próprio artista lê um livro de Hélio Oiticica enquanto caminha pelas ruas de Paris (Foto: Cortesia/Daniel de Paula)

A lógica cotidiana é desafiada nos trabalhos de Daniel de Paula, 26 anos. Nascido em Boston e criado no Brasil desde os 4 anos, o artista formado em artes visuais na FAAP busca tirar do conforto as várias camadas da vida urbana, sejam seus elementos utilitários, sejam os funcionários que os conservam. Na individual que abre em junho, três trabalhos dão continuidade a pesquisas prévias, somando a inversão de função como dado novo. “Formalmente, os trabalhos podem parecer díspares, porque um consiste em um poste enorme, o outro é um néon, e o terceiro, uma série mais intimista. Mas todos abordam a forma como o indivíduo negocia e conversa com o espaço ao redor, seja por uma ação mais contemplativa e romântica, seja por uma mais colossal”, diz o artista.

As três obras operam por inversão. O poste, em vez de acender à noite e apagar de dia, faz o contrário. “Isso cria uma relação mais explícita e até poética com a paisagem, evocando o sol.” Já o néon na forma do título da exposição, atrelado a um sensor de movimento, apaga ao captar pessoas se mexendo. Para mudar esses mecanismos automáticos, Daniel criou sensores de função oposta. Com isso, rompe com seus modus operandi e coloca em questão a utilidade das coisas. “Me interessa muito mostrar como, de alguma forma, é possível um indivíduo negociar com uma estrutura rígida, burocrática, que tenta dar conta de uma cidade inteira.”

Objetos de Mobilidade, Ações de Permanência
de 21/6 a 23/8, no White Cube SP

Rua Agostinho Rodrigues Filho, 550, São Paulo

*Selects publicado originalmente na #select18

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