Das mãos e do barro

Em nova individual de Lenora de Barros, a fotografia abre espaço para práticas manuais com o barro

Paula Alzugaray
Escultura Máscara de Mão (2017) disposta diante da série fotográfica Mão Dupla (Fotos: Everton Ballardin, Cortesia Galeria Millan)

Esculturas em cerâmica, Máscara de Mão (2017)

“Das Mãos e do Barro” foi o título de uma exposição de peças da tradição da cerâmica guarani no Paraguai, realizada na Galeria Millan, em setembro passado, com curadoria de Aracy Amaral. Dois meses depois, Lenora de Barros inaugura na mesma galeria uma individual em que o barro é também protagonista. Coincidência digna de nota, ao levar-se em conta a trajetória desta artista, marcada por uma pesquisa alheia às tradições manuais da arte e que sempre priorizou as relações entre a palavra e a imagem.

O partido da gestualidade está expresso logo na entrada da exposição como um statement, nas duas paredes repletas de lambe-lambes com a frase-título “Pisa da Paúra” escrita a mão. No chão, a palavra Paúra (sinônimo de medo), moldada em barro, foi destruída pelos pés afoitos do público da vernissage, em uma performance coletiva.

A fotografia, linguagem-mãe do repertório de Lenora de Barros, é utilizada na série “Máscaras de Mão”, composta por pequenas esculturas em que a forma é constituída unicamente em resultado à pressão da mão e dos dedos sobre a matéria. A série faz referencia a um poema escrito pela artista em 1972, “MEDO DA FORMAAMORFA”. O barro, nas mãos de Lenora de Barros, parece reverter a busca da linguagem. Talvez o equivalente ao “Adeus à Linguagem”, de Jean-Luc Godard?

  • No chão, instalação com palavras esculpidas em cerâmica. Nas paredes, impressões digitais. Ambos intitulados Pisa na Paúra e realizados em 2017
  • Vista da exposição
  • Ao fundo, o vídeo Alvos (2017). Á dir., escultura Papo Aranha (2017)

 

Serviço
Pisa na Paúra, Lenora de Barros
Anexo Millan
Rua Fradique Coutinho, 1416 – São Paulo
Até 20/12
galeriamillan.com.br

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