Debate racial chega ao mercado de arte

Galeristas racializados disputam espaço e visibilidade em novas galerias e residências artísticas

Leandro Muniz

N° Edição: 48

Publicado em: ANO 09, Nº 48, Set/Out/Nov 2020

Categoria: A Revista, Destaque, Em Construção

Calçado de Monstro (2020), de Estileras (Foto: Divulgação)

House of Ayedun é o nome da galeria recém fundada, em 2020, pela multifuncional Igi Ayedun- artista, educadora, produtora de moda e agora galerista. A HOA surge como desdobramento de um ateliê compartilhado em casa de quatro andares na Vila Anglo, que se expandiu para shows de artistas como Ventura Profana e apresentações de ball rooms de famílias como a House of Mutatis. O espaço nasce com um projeto de funcionamento autossustentável, no qual a galeria tem o papel de monetizar e estruturar um programa de residências. O objetivo é introduzir artistas racializados no mercado de arte.

“Passei o último ano e meio numa bateria de residências artísticas, entre a Espanha e o Marrocos, e lá entendi como residências artísticas podem criar estratégias autossustentáveis, sem nenhum apoio governamental. Então veio a ideia de ter uma galeria que mantém uma residência como lugar experimental, mas possa introduzir artistas no mercado”, diz Ayedoun à seLecT. “Observei o cenário da arte e os artistas racializados têm avanços incríveis, mas com pouca inserção no business, que também é parte da arte e eu vou ocupar esse lugar. Serei incisiva para construir uma estrutura de mercado mais igualitária.”

Outros projetos de galerias focadas na representação de artistas racializados, geridos por pessoas racializadas e surgidos em 2020, são a 01.01 Art Platform, dirigida conjuntamente por Ana Beatriz Almeida, Keyna Eleison, Moisés Patrício, Camila Rocha Campos e João Simões, e a Diáspora Galeria, fundada por Alex Tso. Mesmo em meio à tragédia do coronavírus e o crescente desmonte das poucas ações públicas na cultura, iniciativas privadas surgem em busca de um campo artístico mais plural.

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