Densidade artística

Publicado em: 23/07/2015

Categoria: Da Hora, exposições e bienais

Com trabalhos de Enrique Ježik e Henrique Cesar, Galeria Vermelho inaugura exposições que tratam de temáticas densas como política, ciência e religião

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Legenda: Performance “81 Prisões”, de Enrique Jezik na Verbo. (Foto: Edouard Fraipont)

Duas individuais ocupam a Galeria Vermelho, em São Paulo, desde a última terça-feira (21). Nas salas 1 e 2 do espaço, o argentino radicado no México, Enrique Ježik apresenta obras que lidam com um dos temas mais sensíveis na atualidade brasileira: o sistema prisional. Após ter contato com uma pesquisa da Secretaria Nacional da Juventude da Presidência da República, que revelam dados como o aumento de 74% da população carcerária do país em sete anos, Ježik elaborou a performance “81 prisões” para a Mostra de Performance Arte Verbo, realizada pela galeria paulistana.

Em referência ao número de penitenciárias que estão localizadas no Estado de São Paulo, o trabalho contou com a participação de oito egressos de prisões. Para a obra, Ježik perfurou e cortou placas de madeira, que passaram a ter o formato do estado paulista. Após o desenho formado, o artista, com a ajuda dos ex-presos, fixou a marteladas pedaços de ferro no mapa, simbolizando a localização de cada presídio de São Paulo. O resultado desta performance, que foi apresentada originalmente no último dia 10 de julho, agora está em exibição na mostra do argentino.

A obra que dá nome à exposição segue a mesma temática e apresenta uma série de impressões de mapas de prisões com peças em drywall perfuradas com fogo. Como em sua performance, a escolha das penitenciárias aqui também não foi aleatória. O artista optou por plantas de prédios inspirados no modelo de Panóptico, criado pelo filósofo do século 18 Jeremy Bentham, no qual a estrutura circular permite monitoramento simultâneo de todos os espaços que abrigam presos em um cárcere.

Dois mundos

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Legenda: “Xeri de Tesla”, de Henrique Cesar. (Foto: Cortesia Galeria Vermelho)

Se a exposição de Ježik faz uma reflexão sobre política, a de Henrique Cesar, com ambições igualmente densas, se debruça sobre ciência e religião. Com referências que misturam o cientista Nikola Tesla e tradições africanas, a mostra “Cosmologia Composta” traz pinturas e esculturas – algumas feitas com fragmentos de aparelhos micro-ondas –, além desenhos. Em obras como “Xeri de Tesla”, o artistas traz desenhos de óleo sobre papel que retratam o xeri, chocalho utilizado em alguns rituais religiosos africanos, comumente exibido em imagens de Xangô e associado a descargas elétricas. Sobre os desenhos dos instrumentos, aparecem esquemas que simulam caminhos de elétrons e direções dos campos magnéticos encontrados no projeto da Bobina de Tesla, transformador criado pelo cientista austríaco – assim, Cesar apresenta um ponto de intersecção entre duas esferas do conhecimento que pareciam aparentemente distantes. 

Serviço

Galeria Vermelho
Rua Minas Gerais, 350, São Paulo
Telefone: (11) 3138 1520
De 21 de julho a 22 de agosto, de 2015
Grátis

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