Diálogos entre mar

Com curadoria de Emanoel Araujo, produção de artistas contemporâneos portugueses ganha visibilidade em exposição no Museu Afro Brasil

Felipe Stoffa

Publicado em: 07/09/2016

Categoria: Da Hora, Destaque, Notícias Quentes

Yonamine - Pão Nosso de Cada Dia (Foto: Cortesia Cristina Guerra Contemporary Art)

O resgate da história brasileira foi o fio condutor para que Emanoel Araujo, curador do Museu Afro Brasil em São Paulo, organizasse uma série de exposições que remontem, separadamente, traços das três principais culturas que constituíram as raízes de nosso país: africana, portuguesa e indígena. Contemplada pela ABCA (Associação Brasileira dos Críticos de Arte) como a melhor exposição no ano de 2015, a mostra África Africans marcou o início do projeto. Agora, Araujo dá continuidade com Portugal Portugueses, que fala sobre a arte contemporânea luso-portuguesa.

Trabalho de Cristina Ataide (Foto: Laura Castro Caldas)

Trabalho de Cristina Ataide (Foto: Laura Castro Caldas)

Portugal Portugueses reúne cerca de 270 trabalhos de artistas portugueses contemporâneos. Ao tratar de um período atual da história da arte, os laços interculturais entre Brasil e Portugal acabam por afirmar diálogos que marcam a produção dos dois países. Além disso, a mostra apresenta obras inéditas ao público brasileiro, além de artistas que já passaram por aqui antes, como João Fonte Santa, Francisco Vidal, José de Guimarães e Yonamine. Também ganham espaço artistas portugueses radicados no Brasil, como Antonio Manuel, Fernando Lemos e Orlando Azevedo.

“Nossos olhares e antenas se voltam para as manifestações criativas nascidas no triângulo da invenção, um eixo geográfico que envolve Portugal, África e Brasil”, diz Emanoel Araujo. “O corpo da exposição tem muitas vertentes. Procuramos mostrar uma arte contemporânea entre o modernismo e a construção de uma nova identidade, que envolve artistas jovens e outros já consolidados”, completa.

Um destaque da mostra é a instalação Coração Independente Vermelho, de Joana Vasconcelos, uma das maiores figuras da cena artística portuguesa. A obra remonta um enorme coração de Viana, que ganha dimensão sonora e cinética, peça tradicional da filigrana portuguesa. Esse coração também está associado à cidade de Viana do Castelo, localizada ao norte de Portugal.

Joana Vasconcelos - Coração Vermelho (Foto: Cortesia Fundação Joana Vasconcelos)

Joana Vasconcelos – Coração Independente Vermelho (Foto: Cortesia Fundação Joana Vasconcelos)

A magnitude da exposição faz jus às pesquisas propostas por Araujo. No próprio texto curatorial, ele afirma: “Por muitas razões, a arte portuguesa tem um leque enorme de situações que nos comove, porque nele existem resquícios da África, do Brasil e, naturalmente, do próprio Portugal. Houve um tempo em que essas influências e fluências estavam tão ativas, que transpirava uma espécie de suor com cheiros da complexa história de fluxos e refluxos”.

Sofia Leitão - Matéria do Esquecimento (Foto: Divulgação)

Sofia Leitão – Matéria do Esquecimento (Foto: Divulgação)

Serviço
Portugal Portugueses – Arte Contemporânea
Museu Afro Brasil
Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n, portão 10, Parque Ibirapuera, São Paulo
Até 8/1/2017
De terça-feira a domingo, das 10h às 17h
Tel.: (11) 3320 8900

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