Discursos politizados na premiação ABCA

Vencedores dos prêmios da ABCA aproveitam discurso no palco para declarar apoio a pautas políticas do momento

Da redação
Premiados pela ABCA no palco com troféus feitos por Maria Bonomi (Foto: Evelson de Freitas)

Na noite de terça-feira, 28 de maio, no Sesc Vila Mariana, aconteceu o evento de entrega de prêmios promovidos pela Associação Brasileira de Crítico de Artes. Com a presença de membros da diretoria da ABCA, o evento teve início com o pronunciamento de sua presidente Maria Amélia Bulhões, que deu o tom e aproveitou para levantar a necessidade de resistir em tempos de ataques a cultura.

Entre os dez premiados, três destaques e três homenageados que receberam troféus – feitos pela artista Maria Bonomi –, não foram poucos os que chamaram atenção para pautas políticas em seus cinco minutos de discurso no palco. Sandra Cinto recebeu o Prêmio Mário Pedrosa, destinado a artistas contemporâneos. Em sua fala, apontou para a importância da educação pública no país, que está ameaçada pelo contingenciamento do orçamento que custeia universidades e institutos federais. “Eu não estaria aqui se não tivesse tido excelentes professoras na escola pública onde estudei”, disse a artista, que também se emocionou ao agradecer a galeria que a representa, Casa Triângulo.

A fotógrafa Claudia Andujar, vencedora do Prêmio Clarival do Prado Valladares, destinado a artistas pela trajetória, não esteve presencialmente para receber seu troféu, mas deixou preparada uma breve manifestação. Em tom de inconformidade, atentou para a valorização dos povos originários e clamou pela demarcação de terras indígenas no Brasil.

Ao receber o Prêmio Antônio Bento, pela difusão das artes na mídia, a diretora da redação da seLecT Paula Alzugaray destacou as dificuldades de se fazer jornalismo cultural, no Brasil. “O que nos move, no contexto de uma economia em pane, de transformação dos modelos de comunicação e de um sistema político que não reconhece a educação e a cultura como fundamentais para uma sociedade próspera e igualitária, é a mera possibilidade de existir e enfrentar diariamente o desafio de nos reinventar”, disse Alzugaray.

A fala foi complementada pelo também jornalista homenageado Márcio Sampaio, que ainda colocou em pauta a censura às artes. Sampaio relembrou os protestos realizados em Belo Horizonte contrários à exposição de Pedro Moraleida no Palácio das Artes, que, apesar dos ataques, não foi fechada como ocorreu com a mostra Queermuseu no Santander Cultural de Porto Alegre. Uma grande retrospectiva de Moraleida foi apresentada também em São Paulo, no Instituto Tomie Ohtake, onde felizmente não foi alvo desse tipo de hostilidade.

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