Do céu carioca

Claudio Edinger captura a beleza do Rio de Janeiro em sua exposição Rio do Céu, na Galeria Lume, em São Paulo

Felipe Stoffa
Claudio Edinger (Foto: Claudio Edinger/Divulgação)

Claudio Edinger é carioca, paulistano e nova iorquino. Do Rio, cidade em que nasceu em 1952, tira inspiração e motivação para fotografar. Em São Paulo, formou-se em economia na Universidade Mackenzie, em 1974, profissão que nunca exerceu. Na faculdade, ganhou sua câmera fotográfica, e foi no Masp que realizou sua primeira individual, Edifício Martinelli, em 1975. Mudou-se para Nova York em 1976 e de lá só retornou ao Brasil no final dos anos 90, já como fotógrafo formado e mundialmente reconhecido.

Claudio Edinger (Foto: Claudio Edinger/Divulgação)

Claudio Edinger (Foto: Claudio Edinger/Divulgação)

Depois de diversas séries realizadas na cidade, o Rio de Janeiro volta às suas lentes e é matéria de sua nova exposição, mas a partir de outro interesse: a paisagem. Com curadoria assinada por Paulo Kassab Jr. e o próprio fotógrafo, a individual na Galeria Lume, Rio do Céu, é resultado de diversos anos de pesquisa, com fotografias capturadas por Edinger durante voos de helicóptero. O resultado é uma composição que produz uma experiência estética entre o público e suas imagens, um registro seletivo da beleza da metrópole carioca.

Claudio Edinger (Foto: Claudio Edinger/Divulgação)

Claudio Edinger (Foto: Claudio Edinger/Divulgação)

Edinger se firmou como reconhecido fotojornalista, com imagens já publicadas em revistas como Time, Newsweek, Life, Rolling Stone, e jornais como Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. Em seu trabalho, esteve sempre preocupado em retratar questões sociais, bem como manifestações culturais e urbanas. O reflexo disso pode ser conferido em suas icônicas séries Carnaval e Madness, realizadas no final dos anos 80 e início dos 90. Nelas, o fotógrafo retratou cenas do hospício de Juqueri e o carnaval, ambos no Rio de Janeiro. O resultado deu-se num ensaio que nos apresenta dois tipos distintos de retratos da loucura.

Claudio Edinger (Foto: Claudio Edinger/Divulgação)

Claudio Edinger (Foto: Claudio Edinger/Divulgação)

Entretanto, em Rio do Céu, seu interesse é outro. Abrindo mão de uma fotografia documental, Edinger apresenta um diálogo entre pintura e fotografia. Isso se dá também pelo uso da técnica do foco seletivo, na qual o fotógrafo concentra seu foco em apenas um ponto da cena, deixando o resto embaçado, dando o ar de que estamos voltando nosso olhar à detalhes do conjunto. Essa técnica, reconhece, não é novidade, mas “do céu tudo ganha outra dimensão. É como se os deuses de Olimpo estivessem nos observando. A beleza intoxicante do Rio elimina, ainda que momentaneamente, todos os problemas óbvios de uma grande metrópole”, diz.

E é a beleza o mote da série. “Dizer que o mundo é só tragédias, é como ir ao Rio de Janeiro e só enxergar favelas e violência. Claro que elas existem, junto com todos os outros problemas. Mas a beleza é fundamental. A arte do século 21 tem que falar disso, com a mesma intensidade que fala de todo resto”, comenta Edinger.

Claudio Edinger (Foto: Claudio Edinger/Divulgação)

Claudio Edinger (Foto: Claudio Edinger/Divulgação)

Serviço
Rio do Céu – Claudio Edinger
Galeria Lume
Rua Gumercindo Saraiva, 54, Jardim Europa, São Paulo
Até 28/8
De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 15h
Tel.: (11) 4883 0351

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