Silencio bate recorde

Exposição de Elisa Stecca triplica número de visitantes no Museu de Arte Sacra de São Paulo

Luana Fortes

Publicado em: 26/06/2017

Categoria: Da Hora, Destaque, Notícias Quentes

Pingente (2017), de Elisa Stecca, feito com vidro espelhado, latão e rodocrosita (Fotos: Willy Biondani)

Em uma exposição temporária comum, o Museu de Arte Sacra (MAS) receberia uma média de 2 mil visitantes no período de corriqueiros dois meses. Mas o caso de Silencio, primeira pessoa do presente do indicativo do verbo “silenciar”, da artista Elisa Stecca, aconteceu diferente. Não só a mostra foi prorrogada no segundo mês, como também teve mais de 9 mil visitações durante o tempo em que ficou em cartaz.

Com curadoria de Paula Alzugaray, diretora de redação da seLecT, a exposição teve início em 1º/4 e recém chegou ao fim. Foram expostos 30 trabalhos escultóricos, feitos com materiais como pedras semipreciosas, metais, vidros, cristais, espelhos e mercúrio líquido. Misteriosos, os objetos apresentaram uma diferente relação entre arte e público. Não se tratou da tradicional contemplação, familiar ao MAS, que abriga um acervo com antigas peças de arte sacra brasileira. No entanto, tampouco foi o caso de um convite ao toque. Diante de um objeto de Stecca, o contemplar não foi uma ação passiva, mas sim uma de estar presente no aqui e agora. 

Ampulheta (2016), de Elisa Stecca, feito com turmalina negra, quartzo rolado, latão, vidro pirex e mercúrio líquido

 

A artista ainda compartilhou ações de silêncio com o público, em que permaneceram todos quietos e juntos pelos arredores do museu. Os 9 mil visitantes que passaram pelo MAS não só tiveram a oportunidade de conhecer a mostra Silencio, como também de ver a coleção do local a partir de novos olhares. A artista estendeu a sua presença, e a do público que a acompanhava, para além da sala em que exibia seus objetos, reafirmando a contemplação como dobra temporal em seu trabalho.

Continuamente, a exposição propôs espaços de silêncio e, assim, novas relações com o tempo. Tal qual reflete Alzugaray, no texto Imantação, produzido para o catálogo de Silencio: “Ao fazer frente à escassez de tempo e à aniquilação da experiência como valores de culto da sociedade contemporânea, o projeto de Elisa Stecca recupera a duração como experiência estética”.

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