Duzentos anos de academia

Exposição resgata obras dos franceses que mudaram os contornos da arte brasileira no século 19

Luciana Pareja Norbiato
Nicolas-Antoine Taunay - Sacrifice de l'Agneau Chér (Foto: Cortesia Pinakotheke Cultural)

Há 200 anos, um grupo de renomados artistas e profissionais franceses chegou ao Brasil sob as bênçãos de D. João VI. Oito anos antes, o monarca fixara residência no Rio de Janeiro, então sede da coroa, fugindo de Napoleão Bonaparte e da tomada de Portugal. A família real trouxe consigo a promessa de progresso para a terra nova, mas o motivo pelo qual a Missão Francesa veio para cá é incerto. Uma das teorias mais aceitas diz que o grupo de artistas, artífices e intelectuais fez o pedido por conta própria, para escapar de punições aos bonapartistas, como eles, depois da queda do imperador francês. Não importa a razão, sua influência aqui foi fundamental.

Jean-Baptiste Debret - Estudo (Foto: Cortesia Pinakotheke Cultural)

Jean-Baptiste Debret – Estudo (Foto: Cortesia Pinakotheke Cultural)

Agora, uma mostra na Pinakotheke Cultural comemora o bicentenário da empreitada, resgatando os trabalhos do grupo. “A Missão tinha o objetivo de estabelecer o ensino oficial das artes plásticas no País e acabou influenciando o cenário artístico brasileiro, além de estabelecer um ensino acadêmico inexistente até então”, diz à seLecT Max Perlingeiro, diretor da Pinakotheke Cultural e cocurador da mostra ao lado de Maria Eduarda Marques.

Mas a chegada em terras tupiniquins não teve nada de paradisíaco para o pintor Jean-Baptiste Debret, o escultor Marc Ferrez (tio do famoso fotógrafo) e o arquiteto Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny, que marcou o urbanismo carioca em projetos como o do prédio hoje ocupado pela Casa França-Brasil. Longos dez anos se passaram até que o academismo laico e canônico do grupo ganhasse adesão num Brasil ainda dominado pela estética barroca balizada pela Igreja. Essa história é recontada em pinturas, gravuras, esculturas, documentos e peças de numismática. Além dos trabalhos do grupo, figuram obras de alguns de seus discípulos, entre eles Manuel de Araújo Porto-Alegre e Simplício Rodrigues de Sá. Uma de suas influências, o pintor Nicolas Poussin (1594-1665), é destaque da exposição. Sua enorme tela Himeneu Travestido Assistindo a Uma Dança em Honra a Príapo (1634-1638), pertencente ao Masp, estreia em solo carioca.

Serviço
A Missão Artística Francesa e Seus Discípulos
Pinakotheke Cultural
Rua São Clemente, 300, Botafogo, Rio de Janeiro
Até 26/11
De segunda a sexta-feira, das 10h às 18h; sábados, das 10h às 16
Tel.: (21) 2537 7566

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