Edição secreta (Do you want to know a secret?)

A edição comemorativa de 5 anos de vida de seLecT traz o segredo como fio condutor da revista

Paula Alzugaray
Curtain II (2008), Ulla von Brandenburg (Foto: Cortesia do artista/ Art Concept Paris)

Qual a diferença entre o segredo e o mistério? A pergunta me caiu como um desafio, enigma ou charada, lançada por uma amiga quando descobriu o tema da 32a edição de seLecT. O mistério é o desconhecido, por todos. Já o segredo deve ser necessariamente conhecido por, pelo menos, uma pessoa. E, quase sempre, é compartilhado com um confidente. Isso quer dizer que, na ordem do que é secreto, está implícito o gesto original da comunicação.

A arte conta segredos a quem estiver disposto a escutá-los. O papel de uma revista de arte é disseminá-los para mais e mais gente, ampliando assim o grupo dos amantes e iniciados na mais antiga das formas de pensamento e expressão humana. Viemos, portanto, nesta edição comemorativa de nossos 5 anos de vida, revelar os segredos que ouvimos de artistas, curadores e escritores envolvidos com o tema.

As cortinas da seLecT #32 abrem-se com ensaio de Cristina Ricupero, curadora radicada em Paris e nossa editora convidada. Ricupero traduz para o meio editorial a exposição Sociedades Secretas (Schirn Kunthalle, Frankfurt, e CAPC Musée D’Art Contemporain, Bordeaux), a fim de introduzir nosso leitor no mundo mental das SS. Com obras de Ulla von Brandenburg, Eva Grubinger, Brice Dellsperger, Fabian Marti e Jim Shaw, a curadoria é um ritual de iniciação.

Nossa confraria secreta inclui ainda Jennifer Higgie, apresentando Hilma af Klint, pioneira da arte abstrata; Gary Lachman escrevendo sobre a subcultura ocultista infiltrada nas artes e na cultura contemporânea; a artista cubana Belkis Ayón e a seita  Abakuá, por Orlando Hernández; Jörg Heiser sobre as raízes ocultas do Nazismo; os Ágrafos de Laura Lima, por Marta Mestre; o Mundo Codificado de Guto Lacaz; Tunga alquímico, por Fernanda Lopes; a Sociedade Cavalieri, por Pierre Menard; as coleções de fantasmagorias de Tony Oursler e de Mario Ramiro; os rituais indígenas de Ernesto Neto; as joias de duas importantes coleções particulares brasileiras, por Luciana Pareja Norbiato; e as incertezas da 32a Bienal de São Paulo, em crítica de Cristiana Tejo.

Que os segredos sussurrados aqui contribuam para amplificar o poder de transformação da arte e que este aniversário seja a celebração dos muitos encontros que estão por vir.

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