Educação Para Curiosos

Cursos livres na internet abrem caminho para uma nova escola

Mariel Zasso

N° Edição: 9

Publicado em: 28/12/2012

Categoria: A Revista, Reportagem

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“Crianças etíopes haqueiam o Android em 5 meses.” A notícia alastrou-se como fogo na mídia e, claro, especialmente nas redes sociais. Crianças, etíopes, “sem qualquer instrução”… hackers?! Esses foram os ingredientes da receita que gerou um misto de espanto e entusiasmo. No imaginário do resto do mundo, Etiópia é subnutrição. E só.

Apesar disso, assim foi: crianças que não frequentavam escolas formais, que não conheciam letras, aprenderam, sozinhas, não só a ligar os tablets, objetos que desconheciam, mas também a usar seus aplicativos e repetir pela aldeia as canções em inglês que faziam parte do conteúdo instalado.

E, diante da descoberta de um recurso desabilitado, a ideia infeliz de não disponibilizar o recurso da câmera fotográfica teve seu papel: os pequenos etíopes descobriram como habilitá-la, modificando as configurações mais internas do dispositivo, normalmente inacessíveis a usuários finais.

Mas como foi possível tal façanha? As caixas – parte do projeto OLPC, One Laptop Per Child – foram simplesmente deixadas lá e houve um impulso que fez com que as crianças as abrissem. As caixas, os tablets, os aplicativos e as portas de um novo universo. Esse impulso, chave do autodidatismo é, possivelmente, a chave do aprendizado: curiosidade. E a curiosidade, infelizmente, está bem longe do verdadeiro problema social que se tornou a escola tradicional hoje.

Em tempos de novas tecnologias e conhecimento potencialmente ao alcance de todos, a internet é território infinito para o deambular das curiosidade. E dentre as muitas plataformas que vêm sendo testadas – e do esforço mundial de grupos que cuidam de criar e manter o conhecimento como um bem livre e compartilhado -, as plataformas online estão se tornando alternativas cada vez mais eficientes para atender às demandas do ensino adaptativo.
Os Massive Open Online Courses (MOOCs) são novíssimas iniciativas de ensino e aprendizagem a distância para todos. Cursos mais ou menos livres – o aluno escolhe, para serem acessados a qualquer hora e de qualquer lugar -, e o melhor: para cada um escolher o que mais lhe agrade.

A empolgante alternativa para tentar evitar os paradoxos da escolarização chega a reunir 60 mil curiosos estudando Introdução ao Pensamento Matemático por meio de vídeos curtos e exercícios propostos por um professor que nunca vai conhecer o seu rosto.

Confira, na seção selecTs, plataformas onde redescobrir o prazer de aprender:

Para aprender em qualquer lugar

* Publicado originalmente na edição #select9.

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