Em solo americano

Além da Frieze Art em NY, oito exposições no circuito da cidade apresentam trabalhos de artistas brasileiros

Felipe Stoffa

Publicado em: 28/04/2016

Categoria: Da Hora, Destaque

Marcelo Cidade - Da série A______ Social (Imagem: Galeria Vermelho)

Paralelamente à abertura da quinta edição da feira nova iorquina Frieze Art, que ocorre a partir de 5 de maio, oito exposições no circuíto de arte da cidade merecem destaque especial, apresentando trabalhos de artistas brasileiros. Para os visitantes e residentes, vale a pena dar uma conferida nas galerias.

Nino Cais - Sem título (Imagem: Fridman Gallery)

Nino Cais – Sem título (Imagem: Fridman Gallery)

Teach Me How To Dance

O paulistano Nino Cais inaugura sua exposição solo na Fridman Gallery, no dia 29 de abril. A mostra é sua primeira individual nos Estados Unidos, e apresenta um conjunto significativo de sua obra, reunida em trinta intervenções em livro, cinco instalações e um vídeo. Os trabalhos são fortes gestos poéticos que marcam a pesquisa do artista em torno das relações sociais e seus conflitos, narrativas íntimas com leves doses críticas, como por exemplo no vídeo em que Nino Cais se filma simulando passos de um cavalo e acertando com sua mão seu próprio corpo.

Vik Muniz - Sunbathing (Imagem: Sikkema Jenkins & Co)

Vik Muniz – Sunbathing (Imagem: Sikkema Jenkins & Co)

Album

Já a galeria Sikkema Jerkins & Co. mantém em cartaz a individual de Vik Muniz, que se encerra no dia 10 de maio. Na exposição, o artista retoma sua linha original de trabalho e apresenta suas duas recentes séries de fotografias em larga escala, a série Album que dá nome à mostra e Postcards From Nowhere.

Em Album, Muniz utilizou como pano de fundo fotografias de seu arquivo pessoal, coletadas ao longo dos anos. As imagens representam cenas familiares, como podemos observar nos tradicionais álbuns de famílias: retratos de criança, casamento, fotografias escolares, entre outros. A série trata da banalização de retratos íntimos a partir da proliferação de máquinas fotográficas digitais e a memória.

Postcards From Nowhere mantém diálogo estreito com Album, discutindo, entretanto, a proliferação de imagens e questões relacionadas à perda. Com o desenvolvimento tecnológico, o valor material e a importância de um cartão postal foram drasticamente alterados. Outra forte mudança questionada pelo artista se refere à própria paisagem retratada em um cartão postal; muitas delas deterioradas por inúmeros motivos, como a violência.

Luiz Zerbini - Distraidos Venceremos (Imagem: Sikkema Jenkins & Co)

Luiz Zerbini – Distraídos Venceremos (Imagem: Sikkema Jenkins & Co)

Perhappines

A partir do dia 28 de abril até 28 de junho, a Sikkema Jerkins & Co. abre mais uma exposição de um brasileiro, o pintor carioca Luiz Zerbini, com primeira individual em solo americano. Na mostra, o artista apresenta sua atual série de pinturas, além de trabalhos com técnica mista, explorando a composição de suas telas a partir da confluência entre o geométrico e o abstrato, natureza e arquitetura.

O exercício rigoroso na construção de suas paisagens se apresenta claramente nas pinturas exibidas pela galeria, em que são retratados objetos cotidianos ao pintor, com o suporte de pinceladas geométricas e uma palheta de cores extremamente vibrante. São composições que trazem à cidade americana um ar da paz tropical de seu recanto carioca. O título da mostra é inspirado na palavra poema Perhappines, de Paulo Leminski.

Marcelo Cidade - Da série A______ Social (Imagem: Galeria Vermelho)

Marcelo Cidade – Da série A______ Social (Imagem: Galeria Vermelho)

Basta!

A mostra acontece a partir do dia 5 de maio na Anya and Andrew Shiva Gallery, no John Jay College em Nova York. O espaço, especializado em promover exposições em torno de questões sociais e humanitárias, inaugura a coletiva formada por diversos artistas latino americanos: Iván Argote (Colombia), Marcelo Cidade (Brasil), Regina José Galindo (Guatemala), Aníbal Lopez (Guatemala), Teresa Margolles (México), José Carlos Martinat (Peru), Yucef Merhi (Venezuela), Alice Miceli (Brasil), Mondongo (Juliana Laffitte e Manuel Mendanha – Argentina), Moris (México), Armando Ruiz (Colombia), Giancarlo Scaglia (Perú), Javier Téllez (Venezuela) e Juan Toro (Venezuela).

Os participantes apresentam trabalhos que dialogam, de alguma maneira, com formas de injustiça social, violência e exploração que cada artista, em sua própria experiência, pode apontar. O conjunto das obras procura promover o debate sobre os diversos conflitos sociais que ainda são latentes ao redor do mundo.

Além da exposição, será promovido um simpósio que ocorre no dia 5 de maio, sobre a arte e violência na América Latina. A lista completa dos participantes do evento pode ser acessada na página da galeria.

Sérgio Sister – Configurations (Foto: Sérgio Sister/Josée Bienvenu)

Disuniter Order

A galeria Josée Bienvenu promove a segunda individual do paulistano Sérgio Sister, com suas composições minimalistas que transitam entre pintura e escultura. Sister apresenta no espaço da galeria dois trabalhos de sua série Pontaletes, além de novas produções da série Caixas e Caixinas, ambas produzidas a partir de apropriações de caixas e materiais industriais. A exposição abre no dia 30 de abril, e segue em cartaz até 4 de junho.

Adriana Varejão - Kindred Spirits (Foto: Lehmann Maupin)

Adriana Varejão – Kindred Spirits (Foto: Lehmann Maupin)

Kindred Spirits

Adriana Varejão apresenta um conjunto de recentes pinturas na Lehmann Maupin Gallery, sexta individual que realiza no espaço. São apresentados 29 retratos de sua série Kindred Spirits e pinturas da série Mimbres. Esse corpo de trabalhos reafirma mais uma vez o interesse de pesquisa da artista sobre os efeitos da colonização. A exposição já se encontra em cartaz e segue até dia 19 de junho.

Trabalho de Burle Marx que integra à exposição (Foto: Sítio Roberto Burle Marx)

Trabalho de Burle Marx que integra à exposição (Foto: Sítio Roberto Burle Marx)

Roberto Burle Marx: Brazilian Modernist

Burle Marx ganha a primeira retrospectiva de sua obra nos EUA, no Jewish Museum, mas não só da vertente pela qual tornou-se mundialmente famoso, o paisagismo. Na mostra, a pluralidade de sua criação aparece em pinturas, projetos, esculturas, cenários de teatro, tapeçaria e joalheria, entre os muitos suportes que explorou em mais de 60 anos de carreira. Trabalhos de artistas contemporâneos influenciados por ele, como Paloma Bosquê, Dominique Gonzalez-Foerster e Beatriz Milhazes, estão incluídos. Depois da temporada norte-americana, que abre no dia 6 de maio e segue até 18 de setembro, a mostra deve excursionar para o Deutsche Bank Kunsthalle (Berlim) e o Museu de Arte do Rio (MAR).

Abraham Palatnik - W-725 (Imagem: Galeria Nara Roesler)

Abraham Palatnik – W-725 (Imagem: Galeria Nara Roesler)

Abraham Palatnik

A partir de 3 de maio, a sede da Galeria Nara Roesler em NY abre a individual do artista Abraham Palatnik, um dos maiores nomes da arte cinética. Os trabalhos apresentados no espaço são da série Relevos Progressivos, produções em madeira de jacarandá, papel cartão duplex e acrílico sobre madeira. A galeria também apresentará uma série de trabalhos de Palatnik para expor em individual no seu stand da Frieze Art Fair.

A mostra é a primeira individual do artista nos Estados Unidos desde sua exposição realizada em 1965 na Howard Wise Gallery, e segue em NY até 30 de junho.

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