Em torno de Beuys e o capital

Exposição trans-histórica amplia narrativa de obra de Joseph Beuys, ao relacioná-la com 130 trabalhos de outros autores e tempos

Márion Strecker
A Sala do Capital 1970-1977, instalação de Beuys em exibição no Hamburger Bahnhof (Foto: Márion Strecker)

O museu Hamburger Bahnhof, em Berlim, apresenta uma grande exposição em torno de A Sala do Capital 1970-1977, o ambiente criado por Joseph Beuys (1921-1986) para a Bienal de Veneza de 1980. Essa instalação foi adquirida no ano passado pelo colecionador alemão Erich Marx e agora está sob empréstimo definitivo ao Hamburger Bahnhof, que já possuía uma importante coleção de Beuys.

A Sala do Capital é composta de 27 objetos, entre eles um piano de cauda, aparelhos elétricos, gravadores, microfone e muitos elementos de performances de Beuys, além de muitas obras que ele já havia exposto na Documenta de Kassel. Na sua visão, qualquer um é um artista e o capital humano seria o único capital verdadeiro na sociedade pós-industrial. Arte = Capital é uma expressão recorrente na obra de Beuys.

Nessa exposição trans-histórica, curada por Eugen Blume e Catherine Nichols, foram incluídas 130 obras de autores variados. Entre as mais antigas está uma estátua de Thoth, deus da escrita e da sabedoria, que teria sido o inventor dos hieróglifos. O álbum romântico Fallen Angels (2016), de Bob Dylan, com versões de músicas gravadas por Frank Sinatra; um exemplar em alemão de A Paz Perpétua (1795), do filósofo prussiano Immanuel Kant; uma conversa entre o monge budista tailandês Bhikku Maha Mani e o filósofo alemão Martin Heidegger gravada por uma tevê alemã em 1964; uma máscara do teatro Nô do século 17; livros do escritor e político francês André Malraux; uma pintura do romântico Caspar David Friedrich; uma entrevista com a filósofa política Hannah Arendt; uma gravura de Goya; uma cabeça da divindade Yakshi, do século 1º; o filme Uma Vida de Cachorro, de Charles Chaplin; uma edição do livro Sobre o Comércio e a Usura, de Martinho Lutero, figura central da Reforma Protestante no século 15; um vídeo corporativo de 2013 chamado Working at Goldman Sachs; uma gravação de Rihanna da música Bitch Better Have My Money (2015); e as pinturas Big Electric Chair, Advertisement e Mao, uma das muitas versões que o artista pop Andy Warhol produziu sobre o retrato do líder comunista chinês Mao Tsé-tung, estão ali.

Um toque brasileiro na discussão é dado por uma foto de Carmen Miranda interpretando The Lady in the Tutti Frutti Hat (1943) e o vídeo Passagens I (1974), de Anna Bella Geiger. Paul Klee, Marcel Broodthaers, Gerhard Richter, Cy Twombly, Bruce Nauman, Anselm Kiefer, On Kawara, Nam June Paik, Jeff Koons, Harun Farocki e Rachel Whiteread também estão representados.

Exemplares em inglês e alemão da obra enigmática Worstward Ho, do dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett, aparecem ali. Da obra faz parte o seguinte trecho, muito citado: “Não importa. Tente de novo. Falhe de novo. Falhe melhor”. Vá com tempo.

Serviço
Capital – Dívida, Território, Utopia 
Curadoria de Eugen Blume e Catherine Nichols
Hamburger Bahnhof
Invalidenstrasse 50-51, Berlim
Até 6/11
www.smb.museum

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